a vastidão de walt

“Contradigo a mim mesmo porque sou vasto”.
Walt Whitman

Quaker. Não é uma marca de aveia. São um grupo religioso protestante existente em regiões dos USA. Um quaker muito conhecido – não por ser quaker – foi  Walt Whitman. Se não for tão conhecido assim,  eis o resumo:

walt_whitmanNasceu em 1819. Morreu em 1892. Poeta vastíssimo, maior em minorias, crescente em realidades e descrente dos choramingos. Cru, nu, sensual, pensativo, realista, inteligente e boêmio.

Para ele, existir é o fundamento da igualdade. As diferenças fazem parte da existência. Por conseguinte, discriminar é o fundamento da extinção: da lógica e  do afeto que levaria à extinção da humanidade. Essa que deveria ser inerente ao homem.

A favor das desigualdades que criam e recriam a humanidade, Whitman tinha o hábito relativamente constrangedor de expressar suas opiniões. [não era hoje em dia, em que ter uma opinião e contar pra todo mundo é tudo na vida de uma pessoa… ,no século XIX ter uma opinião podia muito bem ser uma tremenda tolice].

Vasto.

Mando alguns trechos do trabalho dele, de um livro que encontrei num dos surtos de ‘reorganizar estantes’.

canto a mim mesmo

(fragmentos)

2

Em toda pessoa eu vejo a mim mesmo,
nem mais nem menos um grão de mostarda,
e o bem ou mal que falo de mim mesmo
falo dela também.

Sei que sou sólido e são,
para mim num permanente fluir
convergem os objetos do universo;
todos estão escritos para mim
e eu tenho de saber o que significa
o que está escrito.

Sei que sou imortal,
sei que esta minha órbita não pode
ser traçada
pelo compasso de um carpinteiro qualquer.
Sei que não passarei
assim que nem verruga de criança
que à noite se remove
com um alfinete flambado.

Eu sei que sou majestoso,
não vou tirar a paz do meu espírito
para mostrar quanto valho
ou para ser compreendido:
tenho visto que as leis elementares
jamais pedem desculpas.
(Eu reconheço que afinal de contas,
não levo meu orgulho
além do nível a que levo a minha casa.)

Existo como sou,
isso é o que basta:
se ninguém mais no mundo
toma conhecimento,
eu me sento contente;
e se cada um e todos
tomam conhecimento,
eu contente me sento.

Existe um mundo
que toma conhecimento,
e este é o maior para mim:
o mundo de mim mesmo.
Se a mim mesmo eu chegar hoje,
daqui a dez mil ou dez milhões de anos,
posso alcançá-lo agora bem-disposto
ou posso bem-disposto espetar mais.

O lugar de meus pés
está lavrado e ajustado em granito:
rio-me do que dizem ser dissolução
– conheço bem a amplitude do tempo.

extraído de  “Folhas das Folhas de Relva”
(1983, Brasiliense, trad. Geir Campos)

Walt Whitman & Peter Doyle

Walt Whitman & Peter Doyle

Neste momento terno e pensativo
Aqui sentado a sós
Sinto que existem noutras terras outros homens
Ternos e pensativos,
Sinto que posso dar uma espiada
Por cima e avistá-los
Na França, Espanha, Itália e Alemanha
Ou mais longe ainda
No Japão, China ou Rússia,
Falando outros dialetos,
E sinto que se me fosse possível
Conhecer esses homens
Eu poderia bem ligar-me a eles
Como acontece com homens de minha terra,
Ah e sei que poderíamos
Ser irmãos ou amantes
E que com eles eu estaria feliz.

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