um mês de namoro e… juntar os trapos

para ouvir enquanto lê

casal.jpgEnviei ontem de manhã um e-mail para um amigo perguntando como foi o fim de semana. Ele respondeu: casei. Conheceu um cara pela internet e depois de um mês decidiram morar juntos.

Ele sempre falava em alto e bom som, que não queria namorar. Falava em alto e bom tom, que a idéia de morar junto era algo que não povoava seus planos. Dizia que estava muito bem sozinho.

Ele bradava. Eu ouvia. Bradava e eu desconfiava. Ele bradava e eu via em seus olhos que mentia. Ele bradava e eu tinha certeza que, apesar de seu discurso, tudo que ele queria era ser salvo pelo príncipe encantado. Ele bradava. O príncipe chegou. Não foi montado em um cavalo branco, mas com caixas de coisas a fim de dividir o espaço de seu apartamento.

Será que o casamento está tão profundamente incutido em nossa formação e cultura que mesmo quando achamos que não queremos, no fundo, o desejo é estar envolto pelos laços do matrimônio?

Cada um tem seu ritmo. Eu esperei dois anos antes de tomar esta decisão. E depois disso, foram mais dois anos juntos. Conheço um casal, que depois de algumas idas e vindas, demorou dez anos para morar junto e já completou o primeiro ano que estão sob o mesmo teto.

Admito antecipadamente minha rabugice, mas tem uma pergunta que não pude deixar de pensar: depois de apenas um mês de namoro, não foram um tanto precipitados? Dá tempo de decidir com maturidade morar com alguém que se conhece há tão pouco tempo?

A idéia de juntar as escovas, não soa com harmonia aos meus ouvidos. Não penso nisso agora. Mas admito a possibilidade que uma das respostas para um bom relacionamento esteja nos preceitos básicos e tradicionais. Será?

O flerte, o frio na barriga. Conhecer. O primeiro encontro. Apaixonar-se, namorar. Amar, juntar os trapos. Aquela coisa de acordar e tomar café da manhã, escolher os objetos e móveis do apartamento novo, planejar inúmeras viagens, mesmo que não aconteçam todas. É um ciclo.

casalhomo Mas o frescor dessas experiências, parece começar já com prazo de validade. O viço se perde em questão de tempo. E dá aquela vontade de poder sentir tudo de novo. Mas é um tipo de coisa que só sentimos uma vez com cada pessoa, mesmo que os otimistas e leitores de livros de auto-ajuda proclamem que é possível reacender a velha chama. Manter, sim, é possível. Reacender, não.

Fiquei surpreso com a notícia, mas não deixo de admirar sua coragem em arriscar-se. Que palpite dariam os apostadores: vale a pena jogar todas as fichas numa paixão avassaladora? Que outras razões levam uma, ou melhor, duas pessoas a tomar uma decisão tão importante de modo repentino?

“A sorte está lançada.”

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2 Respostas to “um mês de namoro e… juntar os trapos”

  1. Eu casei… ou melhor, juntei há 11 anos. Mami ficou puta, papi doente. Cheguei no dia das mães (bem, eu não sabia que era dia das mães) e disse: mamy, eu não sou mais virgem, faz tempo, lembra do Val? Intão, vou pegar minhas coisas agora e me mudar pro apto do Paulo, que é o homem da minha vida.

    Eu tinha 21. E não houve só resistência dos meus parentes: meus próprios amigos achando que deveriam ter direito a opinar sobre a minha própria vida, dizendo que eu era nova de mais. Ai, paciência…. Casar para eles devia ser um bicho tão estranho que eles fizeram questão de NUNCA virem me visitar na minha casa. (e a gente ia nas casas uns dos outros ro-ti-nei-ra-mente – quase toda semana estava-se indo da facú tomar cerveja na casa ou apto, ou república de alguém, fosse a zona ou a patricinha do alfaville que fosse, por que a diferença comigo?). Ah, faziamos juntos o curso de sociologia da USP, e como eu demonstrava vocação especial para a coisa, eles achavam que eu estava jogando a minha carreira fora.

    E quem disse que casar = virar dona-de-casa?

    Enquanto isso, na minha família foi total silêncio sobre mim. Silêncio cujo coro quem puchava era a minha mãe.Passaram-se anos… anos em que todas as primas que casaram bonitinho, de véu e grinalda na igreja, amém, se divorciaram. E eu, juntada, continuava firme, e com um relacionamento gostoso com o Paulo. Daí eles resolveram descobrir a gente, tentar entender o que é que a gente tem que as filhas e filhos deles não tiveram.

    Não vou dizer que não houve crise – briga sempre há, de vez em nunca até daquelas de visinho ouvir e lançar prato de porcelana no chão e contin”exagerô” até as 3 da manhã, pra acordar às 7 no outro dia… Mas houve crise mesmo, dagente quase se separar. Mas sei lá, acho que cada casal deve ser de um jeito diferente (ou então eu nem sei, ams é tudo igual, no fim das contas). A gente se curte por que a gente sempre negociou, brigou, fez de tudo pra continuar junto, mas sem mentira. Mentira nunca. Quando a gente tava naquela crise que te falei me apaixonei por outro. Cada vez mais me convenço que paixão e amor são coisas diversas:

    Paixão é fetiche – tá dentro da cabeça dagente – agente projeta tudo o que quer e vê só o que quer na pessoa. A pessoa mesmo está alí só pra que a gente possa dar carne e osso às nossas próprias fantasias e fascinações. Às vezes a gente vê (se além de tudo vc consegue se manter lúcido neste processo) que a pessoa tem coisa que promete, e se você consegue enxergar para além da sua paixão, pode ver se a pessoa é uma que vale a pena ou não. No caso do cara, eu tava “head over heels” na paixão, mas tava mais que claro que ele era um imbecil. Dei um pé na bunda dele e voltei me sentindo uma grande anta babante pro cara da minha vida, o Paulo.

    Paixão é um relacionamento todo especial, confuso e fascinante de você com você mesmo. Amor é escolha.

    E não tou falando de escolha-racional-custo-benefício-calculada-em-juros-e-correção-monetária. Estou falando de escolha de verdade. De escolha autônoma.

  2. “Acabei de fazer 20 aninhos, e penso neste assunto sempre, estou iniciando um relacionamento com um carinha de 18 e tenho muito medo do q pode acontecer conosco, não quero perdê-lo, mas acho muito cedo para que nós possamos ter algo mais sério, como nosso namoro é de ceta forma à distância aprendi a ter paciência com ele e amá-lo da maneira que ele é, mas preciso conhece-lo mais, tenho medo, embora sei que ele não me pressionará para uma decisão agora, tenho medo de arriscar com ele, já que nossa família não nos apóia e depois me arrepender, sou muito inseguro.O que eu faço?”

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