celebrando bruno

bruno

Diferente do fascista “De Repente Califórnia” (Shelter) em que os gays são todos maravilhosos e os heteros, desajustados, Bruno tem mais de uma face. E tem humor pra todos os gostos: pastelão, escatológico e incorreto, além de algumas brincadeiras sérias. Eis algumas:

A principal motivação de Bruno é tornar-se uma celebridade. Antes de pensar em críticas a uma suposta futilidade gay, a busca pela fama pode ser lida como metáfora hiperbólica para as necessidades de aceitação e aprovação social, típicas do humano e por vezes obstruídas no homossexual, por razões que todos conhecemos bem.

Quando Bruno decide virar hetero, o faz porque acredita que esse é o único jeito de tornar-se famoso. Ora, quando desejamos “a pílula”, quando buscamos na religião uma promessa de transformação, não o fazemos em busca de aprovação da família, amigos, colegas da igreja ou do trabalho, e assim por diante?

Apesar do escracho, é  emocionante a sequência final no ringue de luta-livre. Após dois anos de trainamento intenso, o Bruno ex-gay consegue conquistar alguma fama (aprovação) como Straight Gay junto a um público truculento, composto primariamente do que os norte-americanos chamam de white trash.

Sobe ao ringue e despe vigorosamente as gostosas, faz piadinhas preconceituosas e é aplaudido pelo público. Então entra em cena seu antigo e apaixonado assistente, Lutz.

Os dois lutam e – clichê – se beijam. Parece que nem Celine Dion consegue abafar a potência ambivalente do tesão/violência. Ver as reações do público, reparar no rapaz que até então mostrava-se agressivo, e que agora chora copiosamente. A maioria se enfurece e arremessa garrafas e cadeiras no ringue, mas os veados continuam se despindo ao som de Celine Dion.

A cena final no ringue lembra outra, do filme Priscila, em que drags saem a pé no meio do deserto, montadas e cobertas com purpurina e acessórios, todas  coloridas entre os tristes marrons das plantas e animais espinhosos. Eis aí uma imagem semelhante de resistência e prosperidade em meio à adversidade – claro que em Bruno há o tesão, ausente em Priscilla, que trata mais de identidade do que de sexualidade.

Diferente dos dramáticos Brokeback Mountain e The Bubble, que apelam para a fórmula destrutiva de Romeu e Julieta pra tentar provocar um efeito sentimental, Bruno tem final feliz; e é interessante notar que ele só alcança seu objetivo – tornar-se mundialmente famoso – quando abandona sua persona ex-gay e rende-se ao fiel Lutz – personagem que funciona como signo de uma felicidade possível que, não raro, recusamos…

Anúncios

Uma resposta to “celebrando bruno”

  1. mano adorei o filme !!!!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: