dna arco-íris?

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O debate sobre as raízes genéticas do comportamento sexual humano pode ser mais polêmico do que parece. Frequentemente essa discussão toma conta dos fóruns GLBTT e muitas pessoas defendem a idéia de que, se fosse comprovado que a definição da orientação sexual se dá na formação do DNA humano, surgiriam mais argumentos para lutar contra a homofobia.

Entretanto, estudos sobre a genética podem ser muito mais úteis às linhas de pensamento neonazistas que à defesa de direitos das minorias. Se, um dia, for comprovado que as pessoas têm sua orientação definida a partir do DNA, não será mais fácil lutar contra a homofobia. Pelo contrário, surgirão muitos argumentos em defesa do pensamento de que a homossexualidade se configura, na verdade, como um defeito na construção genética (já que os homossexuais são minoria). Esse tipo de pensamento é munição para grupos preconceituosos e extremistas. Se neonazistas ganharem o argumento científico de que homossexuais são seres humanos com defeitos genéticos, terão uma razão a mais para exterminar jovens casais que andam de mãos dadas na rua, garotos de programa, travestis ou qualquer pessoa que manifeste uma orientação sexual diferente da maioria.

Já o argumento que propõe que a orientação sexual seja fruto do desenvolvimento cultural (e não genético), ajuda a criar um novo pensamento em que a diversidade sexual seja não um defeito, mas uma evolução do comportamento humano.

Isso não quer dizer que o debate não seja saudável. Todo debate é bem vindo. Mas a biologia e a antropologia não precisam estar de lados diferentes nessa busca pelo conhecimento da sexualidade humana. A luta contra a homofobia pode, sim, crescer a partir de argumentos científicos, desde que eles estejam desvinculados de interesses político-partidários.

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7 Respostas to “dna arco-íris?”

  1. “Já o argumento que propõe que a orientação sexual seja fruto do desenvolvimento cultural (e não genético), ajuda a criar um novo pensamento em que a diversidade sexual seja não um defeito, mas uma evolução do comportamento humano”

    Ou um erro do comportamento humano que deve ser concertado. Por outro lado, a característica genética pode também trazer a defesa de que a homossexualidade é tão natural como a cor dos cabelos ou da pele.

  2. Daniel Rodrigues Says:

    Particularmente eu discordo sobre o citado uso homofobico da argumentação acerca da homossexualidade enquanto dado genético e o uso supostamente positivo da perspectiva antropológica da mesma. O fato de algo ser cultural não significa que ele seja deseja e não seja passível de ser combatido.

    Quando se fala em argumentação homofóbica acerca do “gene gay” está se fazendo uma suposição de argumentação futura. No entanto, argumentação homofobica em torno das noções antropológicas da sexualidade já existem. É a partir da idéia de que a homossexualidade é cultural é que se elaboram “teorias” de re-orientação e se constrói a idéia de que a sexualidade é uma “opção”.

    Por outro lado, o fato de algo ser genético está longe de significar por si que algo é patológico. Uma parcela enorme do que somos é determinado geneticamente, e nem por isso se supõe que essas coisas são doenças.

    A questão da ética na manipulação genética é pertinente e extrapola o campo da sexualidade. Mas não podemos deixar de perceber que potencialmente todo campo científico pode ser contaminado por ideologias homofóbicas. O que é preciso é se colocar em prática a isenção ideológico-partidária da ciência como diz em seu último parágrafo.

  3. Nao importa o que diz a ciencia, a maldade sempre encontra meios de torce-la a seu favor.

  4. Concordo com o Daniel. Corre-se o risco de querer consertar tal comportamento reorientando-o, o que não se cansam de tentar fazer desde o século XVIII.

    E a ética sobre a manipulação genética envolve diversos temas e coloca um outro desafio à comunidade homossexual: se pudermos escolher se nossos filhos serão ou não gays, qual a parcela da população mundial que não irá se importar com o acaso, deixando a ele sua “escolha”?

  5. é uma temática deveras polêmica cujas conclusões a respeito devem ser terrivelmente cuidadosas.

    um fato é: a política faz o que quer com o conhecimento. séculos de história nos mostram isto.

    outro fato: a minoria na amostragem genética não implica na determinação de um ‘defeito biológico’. canhotos são exemplos.

    mais um fato: a orientação sexual enquanto fruto exclusivo do meio permite supor que homossexuais são oriundos de famílias negativas, com problemas, falta de reliogisidade, falta de caráter, falta, falta, falta. também permite supor que homossexuais ‘contagiam’ pessoas com sua orientação sexual, fundamentando a exclusão destes das tarefas que interajam com crianças: educadores, acompanhantes e até mesmo pais.

    a biologia não está do lado de ninguém, da mesma forma que a antropologia, a física, a matemática, a psicologia. a ciência está do lado da pergunta, da dúvida, da necessidade de conhecer.

    deturpar a importância de uma ciência em prol de outra é utilizar de interesse político. creio que não interesse a nós, que buscamos a idoneidade da igualdade, efetuar nenhum tipo de discriminação. inclusive científica.

    debate sim. preconceito não.

  6. Jisuis, estou contigo nesse texto! Também acredito que, se a ciência permanecer na busca do conhecimento, desvinculada de interesses políticos, poderá ajudar a desvendar diversos mistérios acerca da sexualidade humana. Como você pode ver, no parágrafo em que falei sobre a sexualidade como desenvolvimento cultural, inseri uma palavrinha especial, bastante vinculada à biologia: “evolução”. É nesse sentido que confio nas ciências, quando elas não estão fragmentadas, mas juntas na busca do saber (um verdadeiro filósofo nunca se proclamaria contra a procura pelo conhecimento). O problema se encontra justamente na junção entre ciência e política. E, nós sabemos, muitas vezes a ciência é patrocinada por interesses políticos diversos e, quase sempre, perversos. Foi nesse sentido que me preocupei com a argumentação estritamente biológica (que, desde já, é usada por nazistas para reafirmar sua posição de extermínio de grupos “menores”). Não acho que uma ciência seja menos importante que a outra, apenas acho que a fragmentação das ciências prejudica o desvelamento do conhecimento verdadeiro.

    O Daniel disse que a discussão acerca do “gene gay” é futura, mas grupos neonazistas extremistas já a utilizam na formação de sua proposta política. Na verdade, vejo essa suposição baseada em fatos do passado (é um argumento que já foi utilizado por diversas vezes na história para o extermínio de grupos julgados inferiores). Eu concordo com você, também, Daniel, quando diz que existem determinações biológicas e que elas não necessariamente são classificadas como doença (Jisuis lembrou do exemplo dos canhotos), mas não podemos esquecer da homofobia que pode reger as interpretações de dados oferecidos pela ciência.

    Já o Bruno trouxe uma outra questão, também polêmica: se, um dia, for comprovado que a orientação sexual de um individuo se dá em sua formação genética, quantos pais desejarão modificar o código genético de seus filhos? Quantos os deixarão ser o que são? O que farão com os homossexuais já nascidos?

    Eu sabia que esse texto seria polêmico, entretanto percebi que o que os meus amigos dizem não vai contra o meu texto, mas ao encontro dele. Escrevi todas essas coisas aqui no campo de comentários porque acho que não fui tão claro como deveria em alguns pontos do texto publicado. Continuemos discutindo! O debate é sempre bem vindo!

  7. Daniel Rodrigues Says:

    Então Carlinhos,

    não ignoro os experimentos nazistas acerca da sexualidade. Meu apontamento foi que atualmente tais tentativas não existem, ao passo que articulações homofóbicas com base na “homossexualidade cultural” estão de vento em popa.

    A grande questão não é de fato qual ciência é usada para embasar a homofobia, mas sim a própria homofobia que pode infectar de deturpar qualquer ciência, seja ela da area biológica, humanas ou biopsicosociais.

    Independente de qual conclusão científica se chegue no tocante à homossexualidade, se o juízo de valor acerca da mesma for negativo, ela invariavelmente será combatida. Entendo que o respeito à diversidade é mais uma questão ética e filosófica do que científica.

    A questão apontada da manipulação genética é realmente relevante e preocupante e, como eu disse, vai além da sexualidade. Será que os pais não irão querer manipular, além da sexualidade, a personalidade de seu filho? Seu sexo? Sua cor de olhos? Sua cor de pele? Suas crenças ou descrenças religiosas? Ou a ciência se restringirá ao que é realmente patólogico ( predisposição ao câncer, por exemplo) e deixará o resto ao acaso? Novamente voltamos a questão da éticaXdiversidade na ciência.

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