até que provem o contrário

Recentemente numa atitude admirável e corajosa MV Bill, artista brasileiro ligado à cena hip-hop, declarou seu apoio e a intenção de esclarecer e combater a homofobia existente no movimento e também nas comunidades em que o rap possui admiradores e faz parte da cultura local.

Bill, no seu processo pessoal de construção de uma voz singular e engajada, sentiu necessidade de fazer uma auto-crítica da postura machista e intolerante que é traço cultural desta manifestação artística e resolveu ser um facilitador de uma outra consciência mais plural e igualitária entre os gêneros. Nada a recriminar e só elogios a ele e sua decisão.

Mas, na prática, a realidade é muito mais complexa. Machismo, misoginia e homofobia são comportamentos comuns e adotados por grande parte dos integrantes do hip-hop aqui no Brasil e em outras partes do mundo. Oriundo de fatores e circunstâncias históricas e sociais bem determinadas, que reúne pobreza, falta de acesso ao conhecimento e anos de opressão e discriminação, a postura atávica do rapper é movida por uma vontade de denúncia e de crítica ao sistema social .

E isso parece que canaliza sua hostilidade para tudo que caminhe de forma “diferente”.E nessa, hora, sua visão equivocada do inimigo se funde a valores morais e religiosos confusos gerando uma postura reacionária à homossexualidade que é identificada como algo “errado”, “feio” ou “sujo” (paradoxalmente, o mesmo tipo de adjetivação que é usada largamente pelos racistas brancos em relação aos negros).

Nesse sentido, saber que mais do que boas intenções já estão sendo praticadas é uma notícia importante e que traz esperanças de mudanças concretas.

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Cresce no movimento a presença de gays e lésbicas no rap com uma atitude tão ou mais arrojada que seus parceiros straights. Homo-Hop é como é designado essa tendência que, a cada dia, ocupa com justiça mais e mais espaço no cenário musical do rap. Com letras explícitas, posturas totalmente assumidas e se valendo de todos os signos já tradicionalmente associados ao movimento original, o homo-hop não só apóia a causa gay como estabelece um espaço claro para que o discurso político questionador use da plataforma do hip-hop e fale, indistintamente, com gays e heterossexuais sobre a questão.

Obviamente um movimento assim, com esse potencial de ousadia, paga um preço caro ao seu pioneirismo. Além da tradicional homofobia social generalizada, artistas homossexuais do rap agregam a essa crítica o conservadorismo dos artistas do mainstream do  próprio hip-hop e de religiosos das igrejas evangélicas nas quais os negros são grande maioria nos EUA.

O que valoriza, ao meu ver, ainda mais esse comportamento com seu caráter desafiador às posturas reacionárias e anacrônicas em se tratando de uma cultura de resistência que, em tese, deveria ser libertadora e inclusiva.

Para quem quiser se inteirar mais sobre o assunto, algumas indicações musicais e cibernéticas que valem a pena serem conhecidas. E para sentir “o peso” da moçada, clipes dos artistas mais provocantes e inteligentes do homo-hop.

Thumbnail via WebSnapr: http://www.outhiphop.com/ Thumbnail via WebSnapr: http://www.io.com/~larrybob/hiphop.html
Thumbnail via WebSnapr: http://www.pickupthemic.com Thumbnail via WebSnapr: http://www.myspace.com/homorevolution

assista os clipes  na sequência

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