do começo ao fim

O cartaz foi escolhido pelo públicoOs produtores do filme Do Começo Ao Fim ainda estavam procurando patrocinadores para o longa quando um vídeo supostamente vazou no Youtube. O cenário estava montado: o trailer mostra dois irmãos, ainda crianças que se tornam adultos bonitos e envoltos numa paixão avassaladora. Soma-se a isso a música Summer 78 (da trilha sonora de Adeus, Lenin! composta por Yann Tiersen). Em pouco tempo, o vídeo foi acessado milhares de vezes, a notícia espalhou e como num viral perfeito o filme se tornou um sucesso antes mesmo de ter data de estréia.

Tal repercussão se deve ao ineditismo do tema no cinema brasileiro: dois irmãos por parte de mãe, crescem com uma ligação muito íntima e ao tornarem-se adultos, passam a viver como um casal. Um tema polêmico. Mas o filme foi acusado de plágio, e a obra original seria o curta metragem americano Starcrossed e, de fato, há semelhanças na trama. O diretor Aluízio Abranches (Um Copo de Cólera), afirma ter iniciado o projeto um ano antes do lançamento do curta e nem sequer tinha conhecimento sobre ele.

Na última quarta-feira, 04 de Novembro, foi realizada em São Paulo uma pré estréia para imprensa, blogueiros e usuários de redes sociais. Estive lá e vou publicar a primeira resenha sobre um filme aqui no blog. A estréia vai ser dia 27/11.

POR QUE O FILME ESTÁ CAUSANDO UMA "POLÊMICA DO BEM"?

Incesto e homossexualidade são temas que, por si só costumam causar polêmica quando levados ao cinema, televisão ou qualquer veículo direcionado a grandes públicos. Neste caso o filme tem as duas coisas e além disso, é uma relação que se inicia ainda na infância e se consuma na vida adulta. Mas o diretor (que também assina o roteiro e faz uma pequena participação) na verdade, estava interessado em contar uma história de amor. E faz isso com total respeito e delicadeza. Não há uma só polêmica gratuita, nem apelo vulgar. É uma história genuína de amor que ultrapassava convenções sociais e morais. É apenas uma história de amor. E é por isso que a polêmica do bem se espalhou pela rede deixando um séquito de fãs prematuros ansiosos pela estréia.

É UM FILME GAY?

Temos como costume classificar como gay, tudo aquilo que envolve pessoas do mesmo sexo. Um romance entre homem e mulher, diferente disso, não é classificado como filme hetero. À primeira vista, o filme pode parecer direcionado ao público homossexual. E este público realmente abraçou a causa e, talvez, sejam os que mais aguardam o longa. O fato dos dois atores da fase adulta (João Gabriel Vasconcelos e Rafael Cardoso) serem (muito) bonitos desperta a atenção, é impossível ficar indiferente a isso. E é como se fosse uma isca ao espectador. Mas além disso, o filme tem outro trunfo.

PORQUE ASSISTIR

O filme é acima de tudo a história de amor que todos querem vivenciar. Um amor arrebatador e recíproco. E o fato de serem irmãos, só causa algum desconforto quando são crianças. E nesta fase infantil, tudo o que acontece entre eles é uma intimidade inocente, mas que acenava para algo maior no futuro.

Estamos acostumados a ver romances e comédias românticas; dramas. É comum nos depararmos com histórias de amor no cinema, na TV, livros, etc. Mas neste filme tem algo diferente: existe um amor incondicional, que é plenamente vivido sem tragédias. E isto é algo raro entre casais e só temos notícia dessa entrega em relações maternais. E nesse ponto, as relações entre Thomás e Francisco ganham patamares mais amplos. Um é como pai para o outro. E são amantes. E são irmãos. O que torna o envolvimento mais complexo.

Na vida real, certamente não seria tão simples. A família, os amigos, a religião, e os próprios irmãos teriam conflitos e problemas estratosféricos. Mas os personagens, seja a mãe, o pai do Francisco, o pai do Thomás, são íntegros, compreensivos, respeitam decisões e estão abertos a discussões. Simplesmente deixam tudo fluir ao curso natural da vida. E é neste ponto que o filme se desloca da realidade e passa a ser uma história quase irreal. O constante clima de harmonia, ainda que passe por momentos de tensão e incerteza, os tornam seres idealizados. Por outro lado, são pessoas comuns, com um estilo de vida como o de qualquer um. É como se houvesse ali um recado dizendo que uma história como aquela, é possível.

Tal atmosfera etérea, por vezes, passa do ponto e alguns planos em câmera lenta associados à música instrumental (sobretudo no começo do filme) transmitem uma felicidade perfeita e piegas. E ainda tem momentos que os diálogos simplesmente não tem naturalidade, como no momento em que Francisco, longe do irmão, faz "novas amizades" em uma boate.

No entanto, existe um esforço em tornar os personagens humanos: eles sentem ciúmes e sentem-se inseguros, fazem sexo, são politicamente incorretos ("Bunda de mulher deve dar bons bifes no caso de desastre na neve"). Ainda assim, em alguns momentos, parecem saídos de um comercial de TV.

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Uma resposta to “do começo ao fim”

  1. Estou bastante curioso pra assistir esse filme, mas devo discordar da postura do autor da resenha, quando diz que o filme não éum filme gay, mas um filme sobre o amor, e exemplifica dizendo que um filme com um romance entre um homem e uma mulher não é classificado como “filme hetero”.

    Ora, como a nossa sociedade é heteronormativa, claro que um filme com um romance entre um homem e uma mulher não será classificado como “filme hetero”, simplismente por que essa classificação já está implícita, e o que se espera de um filme romântico é uma relação entre protagonistas heterossexuais.

    Acho que soa um pouco como desculpa quando dizem que “esse ou aquele filme não é gay, é pra todo mundo”, como se classificar o filme como gay diminuísse o potencial pra que ele seja apreciado por todas as pessoas.

    Eu discordo disso – Obviamente esse é um filme muito, muito, muito gay, e nada impede que ele seja também um filme sobre o amor que pode ser apreciado por qualquer espectador, independente de orientação sexual. ;)

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