como sabemos que somos "do bem"?

Talvez seja minha idade, talvez seja meu passado ou talvez seja, realmente, que sou um romântico inveterado. Não importa muito, O fato é que, sempre quando sei que vai haver um “beijaço”, me emociono.

Pouco importa, também, o motivo que o originou. Ou a causa que nos arrasta a este ato vândalo. O que me interessa são as consequências. Não as burocráticas e mofadas, baseadas em leis feitas por gente sem amor e que tem medo de carinho a ponto de o tachar de obsceno. Mas a felicidade que conseguimos espalhar.

Não falo daqueles que a tudo coibem, a tudo julgam, a tudo pecaminam, a tudo processam ou a tudo analisam. Como alguém já disse de forma magistral, desconfie de pessoas de botinas, batinas, togas e aventais. Ou que lhe queiram deitado num divã, numa cadeira de réu ou ajoelhado a pedir perdão.

Falo daqueles outros, nós, aqueles que escolheram amar o mais bem próximo, igual ou semelhante. Falo dos homens e mulheres que, diante do caminho mais fácil ou do caminho único, resolvem ir pela contra-mão, pelo margem e pelo lado obtuso.

Esses seres, nós, frequentemente chamados de insensatos, despudorados e de ingratos aos céus e aos santos. Que muitas vezes são expulsos, açoitados e impedidos. Poderia desfilar aqui , quase infindo,  ínumeros motivos para que quiséssemos a vingança, a dor, o mal e a desgraça de quem nos alheia.

Poderíamos sair pelas ruas, praças e avenidas a destruir, incinerar, rabiscar e assustar a todos com nossos gritos de guerra, nossas feições maldosas e nossa euforia coletiva de massa enlouquecida. Poderosos em dia de manada.

Poderíamos sair munidos de estandartes imensos, com tochas e velas amendrontando quem passa. Lamuriando nossa falta de sorte e nossa desgraça de nascer de um jeito contrário.

Poderíamos mais. Acreditando numa vida melhor e que desta terra não se leva nada, amarraríamos bombas em nossos corpos, cobriríamos o rosto de preto e deixaríamos um vídeo gravado em despedida dos mais queridos torcendo para encontrar o paraíso ali em cima ou do outro lado.

Depois, no meio desta gente que nos odeia e nos repele, explodiríamos rápido fazendo tudo se consumir em fogo: excrementos, corpos e peles. Nada restaria, nem eles nem nós. Mas censurar? ahhh, ninguém mais se atreveria…

Mas não.

Por um estranho desejo de ser feliz. Por uma mania pervertida de sempre sorrir. Por uma vontade louca de preferir amar, gozar, dançar, viver e crer até em quem nem nos acredita, escolhemos protestar de outra forma. Preferimos o calor de nosso corpos, nus, suados, vestidos, magros, sarados, eretos ou aleijados. Das nossas mãos desarmadas, abraçadas, enlaçadas, dadas e apertadas. Preferimos o impossível e não o tédio. O sonho e não o ódio. Preferimos o afago a invés do murro.

Um, dois, três mas…sem armas apontadas, sem patíbulos que despencam e sem sangue desperdiçado.

dizemos não, dizemos basta e dizemos chega.

Com um gesto simples: um beijo.

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2 Respostas to “como sabemos que somos "do bem"?”

  1. Prezado Luiz, obrigado por sua visita ao Jazzseen e parabéns pelo excelente blog.

  2. Roger Ramos Says:

    Parabéns! Texto digno de quem faz o que tem que fazer e com paixão!

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