Veja além das aparências

Adriano Mascarenhas Adoro ingenuidades. Eu mesmo sou um ingênuo confesso. Acho que a palavra é o bem / dom mais precioso que temos, e se uma pessoa me diz algo verossímil – especialmente quando referindo-se a si mesma ou a algo que cuja única fonte necessária seja sua palavra – não fico duvidando não, acredito de primeira.

Imagine só: Você poderá me dizer “Eu estudei na França e falo fluentemente a língua de lá”, e pra mim estará tudo bem, porque vou acreditar na sua palavra. Também espero que acreditem em mim quando eu falar. Mas transparência é tudo. Esses ditos precisam encontrar respaldo na realidade objetiva, ou, do contrário, acabarão sendo desmascarados, colocando em franco descrédito aquele que tiver emitido tais “falsas verdades”. Se eu te perguntasse, na hipótese sugerida, como dizer “A Veja é mentirosa” em francês e você não soubesse me responder, eu poderia te chamar de mentiroso, não poderia? Le magazine Veja est un menteur!

A Veja Mente Este é um texto sobre a reportagem de capa da Veja de 12 de maio de 2010, chamada “A geração tolerância”. A matéria trata da naturalidade com que alguns grupos de adolescentes têm vivenciado sua homossexualidade. Se você é dos meus, você viu “Veja” nessa frase e já ficou com os dois pés atrás. Pois é. Fez bem. Eu poderia deixar de lado minhas animosidades em relação a essa revista e escrever um texto neutro, deixando para expressar meu ponto de vista apenas no final, mas acho que podemos pular essas formalidades, uma vez que não é de hoje que essa revista se mostra inimiga dos movimentos sociais. Em todo caso, vou pedir que leia primeiramente o texto original antes de continuar. Não quero te influenciar demais.

Já foi? Ótimo. Porque se você está lendo este texto, quero crer que você é alguém com pelo menos um mínimo de consciência a respeito da causa LGBT, a ponto de já ter sentido as entrelinhas da matéria e o que nós podemos falar sobre ela.

Lendo a matéria da Veja, o cidadão brasileiro pode ser levado, em primeiro lugar, a um mundo de fantasia no qual o peso do outing já não existe mais, e é mais difícil para quem recebe a informação do que para quem se assume. Talvez o peso não seja tão leve assim, uma vez que os pais ouvidos pela Veja ainda assim caracterizam a decepção como “a pior de toda a vida”. A angústia de se sentir rejeitado e mantendo um segredo por medo de rejeição dos entes queridos é que não existe mais. E quando saímos do âmbito da rejeição familiar para as relações dos jovens entre si, eles “em geral” não condenam mais ao bullying aqueles que se assumem gays. Pelo contrário, repreendem manifestações de preconceito. As exceções são a regra: Se para os adolescentes de classe média-alta do Sudeste as coisas estão assim, assim estão para todos! Bem, a realidade da esmagadora maioria dos LGBT, como muitos de vocês devem saber, passa longe disso, como atesta a reportagem da Agência Brasil sobre homofobia nas escolas.

A abordagem a essa juventude gay vista sob lentes rosadas de um mundo perfeito continua ainda com constantes e descabidas comparações com gerações anteriores. A menção feita a boates GLS, por exemplo, pinta estas como um gueto onde os gays mais velhos se auto-segregam, e essa nova geração toda descolada não quer saber disso. Defender abertamente a causa, então, virou “coisa da geração passada que resumia sua existência na própria homossexualidade”. Os gays jovens estão acima disso, porque “não se encaixam em rótulos”. Aliás, afirmar-se gay já virou algo antiquado antes mesmo de ter entrado na moda, bem como o jeito de ser dos gays afeminados e lésbicas masculinizadas, que de acordo com o sub-texto, queriam apenas chocar as pessoas afinal. O ideal dessa juventude legal, substituindo essa coisa chocante, é ser “assumido, mas discreto” (texto de uma das fotos!). Bem se nota a partir disso que a idéia é “tolerar” a homossexualidade desde que ela permaneça longe da vista de todos, normatizada. É como se quisessem nos “higienizar”. Há uma defesa escancarada da sexualidade “sem rótulos”, e não é pela perspectiva de enxergar o desejo sexual e afetivo como mais ou menos flexível, e sim de recusar a identificação social desse desejo. Bem, não é difícil ver aonde chegaremos sem uma identidade, um sentimento de grupo: A lugar nenhum.

Casal Gay FakeA mensagem deles é clara: O mundo agora é uma maravilha para os gays e os autores tiveram toda uma cuidadosa atenção a mencionar detalhes que corroborassem com essa visão.  Citaram novelas, que, de acordo com Manoel Carlos, exibem hoje em dia a vida comum de um casal gay, “vida comum” esta que não tem beijos e expressões de afeto nem em ambientes privados ou mais parecem um programa de humor ou testemunho de redenção do “homossexualismo” masculino pelo amor de uma mulher (os personagens da Globo às vezes são estranhos: viram héteros no final). Citaram o episódio de a Globo ter sido obrigada a prestar esclarecimentos sobre a transmissão do HIV devido à afirmação do vencedor do Big Brother Brasil 10 veiculada em rede nacional de que “héteros não pegam HIV”, afirmação caracterizada pelo texto como “bobagem”. Eles recorreram até a baixeza de citar o episódio envolvendo o General Cerqueira Filho (sem citar seu nome!) sugerindo que uma sociedade indignada teria conseguido que ele se retratasse (Quando a “retratação” dele foi quase pior que a postura homofóbica inicial). Ah, detalhe: de acordo com o texto, o exército tem como regra não perseguir gays…

Nesse mundo de maravilhas da Veja, “levantar bandeiras” virou coisa do passado, como se não houvesse mais nada a ser conquistado agora que essa “geração tolerância” veio ensinar a todos como se fazem as coisas. É como o racismo, que ela teima em dizer que não existe no Brasil. O avanço na conquista de respeito, conforme a matéria, acaba sendo visto como uma mera consequência do passar dos anos e da sucessão das gerações, e não dos esforços de todos os que já deram suas vidas (às vezes literalmente) para conquistar o pouco que temos. E como se não bastasse a falta de reconhecimento, a reportagem ainda contém um ataque direto e grosseiro contra a militância organizada em si, o qual faço questão de transcrever abaixo:

Mesmo que às vezes usados como bandeira por bandos de militantes paparicados por políticos em busca de votos, pode-se dizer que tais episódios [os referidos acima] apontam para uma direção positiva.

Então os militantes são uns oportunistas PAPARICADOS pelos políticos.  Não, você não leu errado. Não somos nós que precisamos ficar pressionando os políticos para que cumpram seu papel de promover uma sociedade melhor, obtendo parcos resultados no processo. São eles que “abrem as pernas” para nossas exigências, que, pelo visto, são exageradas, já que tudo já foi conquistado pela “geração tolerância”. É como se fosse dado um sutil recado de “Vocês já conseguiram demais, já podem parar por aí!”

1ª Marcha Nacional contra a Homofobia

E isso às vésperas da Primeira Marcha Nacional contra a Homofobia em Brasília. Isso em ano eleitoral, em que teremos que cobrar posturas dos candidatos quanto às políticas LGBT, inclusive do queridinho da revista, que todo mundo sabe qual é. Alguém pensou também em PLC 122? Em casamento gay? Em direito de adoção? Em batalhar para que o Programa Nacional de Direitos Humanos III seja algo mais que uma carta de intenções? A geração tolerância vai conseguir isso sozinha ignorando nossa história de lutas? Acho que não. Falta de consciência histórica nunca faz bem.

Ok, eu sei que você, reaça convicto “lendo meu texto de teimoso”, ainda não se convenceu do mau-caratismo do seu folhetim nojento de extrema-direita. Mas eu vou te ajudar a encarar os fatos se você quiser. Palavras de Deco Ribeiro, do grupo E-Jovem:

Infelizmente a Veja comprou uma tese conservadora dos EUA (contida no livro “The New Gay Teenager”) e fez uma matéria em cima dessa tese: que jovens gays não têm mais rótulos, não se importam em lutar pela causa e não sofrem mais homofobia na escola. É o mundo feliz da Direita, onde não é preciso nenhuma luta, pois todos já foram abraçados (assimilados, fagocitados, cooptados) pela sociedade.
É a tese do fim da luta de classes, velha conhecida nossa (“Não há racismo no Brasil” etc).
Todo o lado da juventude militante e a vulnerabilidade a que esta juventude AINDA está sujeita (principalmente na escola) foi ignorado para reforçar a tese. Pior que ignorado: foi deliberadamente deixado de lado. Porque eles procuraram o E-JOVEM e ouviram do pessoal do grupo exatamente o OPOSTO do que está na matéria. A gente (jornalistas) aprende a fazer isso (escolha seletiva de fontes para validar NOSSO ponto de vista) ainda na faculdade…
Uma pena. Mas é a Veja.

Acorda, Alice! Se até agora você não viu nada de mais nessa reportagem, considere seriamente se perguntar até onde vai sua autonomia intelectual. Vi pela web que as reações a ela por parte de gays foram diversas e ainda tive o desgosto de ver quem tivesse adorado tudo o que leu. Houve quem dissesse que ela havia  “prestado um serviço à comunidade LGBT”… Hã?

Alguns souberam filtrar apenas a parte que retrata de maneira positiva o “assumir-se gay” e pareceram se contentar com o fato de uma revista como a Veja fazer pelo menos algo vagamente simpatizante. Disseram que o público da Veja é mesmo a fração reaça da classe média e que portanto a matéria nem foi tão danosa, podendo até vir a abrir alguns olhos. Não duvido que abra, embora certamente encare isso com ceticismo. Mas a Veja infelizmente não é só isso. Além de um histórico de distorções similares, ela tem nome e status mesmo entre pessoas que não integram esse universo da “geração tolerância”, ainda mais considerando-se que os valores das classes dominantes frequentemente são defendidos também dentro das dominadas. Qualquer consultório odontológico tem lá uma Veja para ser folheada naquelas horas terríveis em que ouvimos o motorzinho do dentista antes de entrar na sala. Na minha infância, ler a Veja era sinônimo de ser uma pessoa bem informada, e só hoje com o advento das mídias independentes o grosso de sua falta de profissionalismo tem vindo a conhecimento popular.

Volto aqui no que falei sobre ingenuidade no começo do texto. Nós poderíamos acreditar na Veja se ela falasse a língua da realidade e não expusesse suas tendências ideológicas com tanta cara de pau. Em vez disso, ela maquiou uma verdade dolorosa de homofobia que muitos sentimos todos os dias, e com objetivos políticos de uma agenda muito duvidosa. Temos que nos livrar do discurso de conformismo, de nos contentarmos com migalhas, e de taxar aqueles que criticam e reclamam de “chatos”, “extremamente exigentes” ou “eternamente insatisfeitos”. Temos que querer uma mídia de qualidade e além disso temos que ficar atentos a seus deslizes. Vivemos numa era em que ser ingênuo em assuntos dessa importância é mais que ser tolo, é ser irresponsável e contribuir para que a alienação continue e se agrave!

Diante disso tudo, só me resta concluir este texto olhando, antiteticamente, para aquilo que primeiro vem aos olhos quando nos deparamos com ele, o título, porque depois de feitas as reflexões do todo, a do título deve poder sintetizar os pontos principais da crítica e dar uma noção holística do golpe dado pela revista. Na capa, quando se lê “Ser Jovem e Gay – A Vida sem Dramas”, encontramos resumido aí todo o quadro dessa juventude que não enfrenta problemas, os quais ainda por cima foram nomeados de “dramas”, num mau gosto vocabular que só poderia ser da Veja. Dá pra notar o descaramento? A matéria em si, então, com seu nome de “A Geração Tolerância”, termina por expressar aquilo que a revista deve achar que basta para nós: “Ser tolerados”. Você vai se contentar com isso?

Taste the Fucking Rainbow

Eu não. E perspectiva similar à minha é a de Alexey Dodsworth Magnavita de Carvalho, Mestrando em Filosofia Política e Ética pela USP, que partilhou com a comunidade Homofobia Já Era a carta que enviou à redação da revista. Transcrevo abaixo os parágrafos sobre “Tolerância” que encaro como basais de um questionamento contra a mentalidade de quem se contenta com “ser tolerado”.

O objetivo jamais deveria ser a mera tolerância, e sim o respeito, e estes dois termos não são sinônimos. “Tolerância” evoca a idéia de superioridade de quem tolera sobre quem é tolerado. Além disso, sugere também algo que é suportado, e que só se suporta por um breve espaço de tempo. Toleramos as traquinagens de uma criança porque, afinal, ela é uma criança. Toleramos os erros de português de um estrangeiro que aprende nossa lingua porque, afinal, ele ainda está aprendendo a nossa lingua. O “tolerado”, como se vê, é sempre um sujeito em posição de desvantagem. Além disso, podemos dizer que toleramos uma dor, um incômodo, um chefe chato, porque são contingências impostas pela vida. Diante de todo o exposto, não posso deixar de perguntar: devemos “tolerar” os gays, ou respeitá-los? “Respeito” é uma palavra bem diferente, envolve alteridade, envolve considerar o outro como meu semelhante, e não inferior a mim.

Sem mais, abraços.

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11 Respostas to “Veja além das aparências”

  1. Prezados, este texto foi escrito a partir da leitura que fiz da matéria e das discussões tidas na Homofobia – Já Era sobre ela e tweets (@adrianismos) que fiz antes de chegar a uma versão final do texto. Espero que tenham gostado.

  2. Arthur - HoJE Says:

    Gostar?
    É o caso de ‘gostar’?

    O texto não deixa margens a dúvidas…
    É para ser ‘engolido’ pelas hordas relativistas, pelos propagadores da má fé, pelos pseudo arautos da ‘nova’ situação, enganadores da conveniente e conivente ignorância dessa turminha ‘descolada’ e ‘moderna’ que nos chama de xiitas!

    Não sabem nada, não aprendem nada, não apreendem nada, não tem vontade de aprender, argumentar, trocar informações e experiências.

    E não lerão este texto, não o farão com qualquer texto que tenha mais de um parágrafo, dez linhas, um post de tweet ou SMS do smartphone de última geração que será trocado assim que chegar um outro mais ‘bonitinho’.

    Não tem ideia de onde estão pisando, e se um dia o perceberem…
    Bem, aí será tarde demais e teremos que refazer décadas de caminhada novamente.

    AVE Adriano!!!
    AVE!!!

    • Realmente, Arthur. Acho que você, como eu, tem tido bastante contato com esse discurso “neo”-careta alienado e intelectualmente insuficiente. Muitas vezes as pessoas simplesmente não conseguem se libertar daqueles que as oprimem. O peso cultural da homofobia e seus acordos tácitos de silêncio e conformismo tem feito suas vítimas nessa “geração tolerância”, mas não serão eles os únicos afetados. E quem veio antes? E quem vier depois? Questionar é preciso! Um beijo.

  3. Mais um texto lido (promessa é dívida, hein). Bem, não vou me alongar (mentira, rsrs): concordo integralmente. Quero pontuar apenas uma questão que você mencionou brevemente: da importância da revista para além do seu público leitor. Primeiro, a revista sabe claramente que matérias desse gênero serão, em alguma medida ou no todo, bem aceitas pelo seu público-alvo; basicamente porque o contrato de leitura dela deixa isso claro, e quem a lê como leitura habitual “sabe” disso (acho que não conscientemente, rsrs). Segundo, e este é o ponto: a importância que a revista tem no cenário público (ou, para usar a controversa ideia de opinião pública) é muitíssimo maior do que a que têm no público-alvo dela. O que sai em Veja vira discussão política; é mencionado por vários congressistas do país; é motivação, eventualmente, para investigações policiais. Portanto, do ponto de vista do interesse público, é preciso estar muito atento ao alcance da revista no cenário brasileiro (imenso, sabemos). Enfim, a moral: como leitor, não há meio muito simples de se perceber o discurso da revista ao longo do tempo em relação a certos temas; como analista é mais fácil. Os ataques contínuos e pesados aos movimentos sociais no Brasil por parte da revista já logram êxito há algum tempo: MST, movimento social, ONG, partido de esquerda, passeata, direitos humanos, cotas, reforma agrária, greve e protesto é tudo coisa de baderneiro, petralha e gente desocupada. Quem conta um conto… aumenta um ponto. Perigoso. Beijão.

    • Você enriquece meus textos quando passa os olhos por ele, rsrs. Realmente, o simples status da revista Veja faz sua própria pressão política se fazer sentir na sociedade, independente de se referir ao universo de seus leitores ou não. Não tenho nada a acrescentar mais, além dos agradecimentos. Um beijo.

  4. Surpreendente a cabeça dos jovens aqui deste blog. Fico feliz de saber que vocês existem e que não deixarão a peteca cair.

    Entretanto sou bem mais simplório e ingênuo, e muito, muito mais velho. E também espero que o Adriano goste disso.

    De todas as criticas que li feitas à revista Veja esta foi de longe a mais profunda e contundente porque a melhor fundamentada. E todas estavam certas nas suas críticas. Essa repercussão certamente chegou aos ouvidos da Veja que da próxima vez aplicará outros critérios. Temos que aguardar.

    Entretanto, como simplório que sou, e sem ser leitor da Veja, li o artigo e uma ficha caiu pra mim.

    Como o leitor da Veja, o pai/mãe de um gay que está dentro do armário estaria lendo essa matéria da Veja? Ele/a ama seu filho, quer a felicidade pra ele. Afinal, ele pai é da elite cultural e econômica deste país, do Oiapoque ao Chuí, e tudo o que ele conquistou, o fez para a sua família da qual seu filho é parte principal. Ele, culto e bem de vida se permitirá ser homofóbico ao ponto de impedir seu filho de ser feliz?

    – É a felicidade de meu filho que está em jogo e eu sou um homem preparado e sei que o mundo caminha para essa realidade que a própria ciência já ungiu. Então devo esperar que meu filho tome a iniciativa dolorosa de me contar que é gay e soframos ele e eu com esse momento? Ou devo preparar-me, deixar de ser hipócrita, afinal sei que ele é gay/lésbica, qual pai/mãe não sabe? E estando eu preparado não poderei ajudá-lo a abrir esse armário pelo lado de fora já que o lado de dentro não tem maçaneta?

    E ajudou.

    – Na fábrica, no escritório, enfim no trabalho, eu estou no comando, e por isso leio a Veja. Tenho subalternos de vários níveis, empregados de todas as classes sociais. E agora eles sabem que eu ajudei meu filho a revelar-se o que é. Não só respeitarão meu filho mas como o sucesso aqui sou eu, irão imitar meu gesto. Farão um esforço, certamente muito maior que o meu porque eles não lêem a Veja, mas não haverão de se permitir ficar por baixo. Seus filhos gays me agradecerão.

    Assim eu li a Veja. E estou seguríssimo que assim leram os pais dos filhos que ainda estão no armário.

    A Veja é cabotina? Se os jovens gays, de todas as classes sociais se derem bem com essa…

    Só lamento que os gays mais velhos não tiveram a mesma sorte. Afinal foram eles que arrobaram o armário sozinhos e por dentro, a assumiram todo o ônus dessa empreitada.

    Também devo reconhecer que graças a eles há grande esperança para os que virão.

    • Muito obrigado por ter lido, comentado e elogiado o texto, Benjamin. Acho que seu comentário descreve bem as consequências boas que eventualmente podem vir a acontecer em alguns casos. É uma perspectiva que eu consideraria como bem otimista, mas válida, apesar de ainda assim de menos vulto em relação aos efeitos negativos. Iniciativas como a dessa matéria servem ao conservadorismo porque jogam as reivindicações do movimento gay pro campo dos exageros. Afinal, “se tudo está muito bom, o que os gays querem afinal? Não existe mais preconceito hoje em dia! Tudo já está bom como está agora”. Mudanças na sociedade assustam quem detém o poder e recursos, porque sinalizam que tais poderes e recursos podem trocar de mão. Acho que é nisso que reside a ligação entre o conservadorismo e a manutenção da homofobia e da hipocrisia coletivas.
      Abraços.

  5. Você está certo. E é por isso mesmo que concordo com as críticas a Veja, e sem deixar de olhar para o que ela tem de positivo. Significa que a luta não só continua mas que deve ser intensificada até que caia a última trincheira.
    Blogs como o seu e outros que tenho visto aparecer na rede têm sido da maior valia nessa batalha, não só contra a homofobia como também contra o simples preconceito. Principalmente porque esse espaço de discussão, sempre democrático, impulsiona a cultura das minorias, impele os argumentos à sua melhor forma e promove a unidade. Reitero que fiquei felicíssimo de saber que vocês existem.
    E ontem mais especialmente, porque vi cair uma resistência nada desprezível quando da promulgação da lei portuguesa, que encerra a idéia exclusiva de famílias hetero configuradas.
    Estamos no caminho certo e só não podemos nos iludir, realmente não, com imagens positivistas que a midia possa vir a lançar para tentar esfriar os nossos ânimos.

  6. alexmendes Says:

    Não vi nada de positivo no que está escrito ali. Chego a duvidar da veracidade das coisas escritas sobre esses garotos e garotas. Será em que mundo vivem? Talvez essa realidade valha no máximo para os limites dos estados de SP e RJ. Aqui em GO o bicho ainda pega feio, ser gay é algo que nos define no mundo e se não nos unirmos em torno das coisas que gostamos e procurarmos pessoas que pensam igual, sempre seremos discriminados.

    Se pensarmos sob a perspectiva de alguém que more na minha cidade, talvez eu morra sem ver um nível de suposta aceitação como a que é descrita por essa reportagem.

    Mas Veja é Veja, gente. A revista respeitada da década de 90 se tornou um poço de opiniões furadas, principalmente no que tange aos movimentos sociais. Por aqui há motivos bem mais dolorosos para a militância, do que uma simples carinha torcida por parte de uma mãe. Sei lá. O pior é que a opinião da Veja cai como uma luva na cabeça do cidadão de classe média que não quer se envolver nesses problemas: Se esses jovens acharam a solução, agora é esperar que todos tomem as mesmas atitudes.

    O que aconteceu nos EUA e acontece com esses garotos e garotas homo entrevistados é um fenômeno chamado de integração social. Na integração, o indivíduo excluído tem de fazer esforço para ser integrado na sociedade, adaptando-se a regras e imosições no sentido de ser melhor aceito por todos, já que a maioria não resolve tomar decisões de aceitar plenamente no seu meio todos os que são diferentes.

    Não é o ideal. A inclusão é o correto. A sociedade tem que aceitar do diferente do modo como ele é, de acordo com suas particularidades, e não impor aos indivíduos um comportamento padronizado ou que seja mais confortável à maioria.

    • Muito interessante o conceito de integração social. Traduz muito bem o que eu quis dizer mencionando o discurso da homossexualidade “discreta”, que quer “higienizar” os gays, eliminando deles aquilo que as imposições sociais condenam. Obrigado pelo comentário!

  7. […] matéria do miolo) de 2010 que foi amplamente analisada aqui na blogosfera (dois exemplos estão aqui e aqui, cujas referências também fiz na monografia). Na minha pesquisa, portanto, essa matéria […]

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