escova de dentes

No filme Goldfish Memory ,(em português, Todas as cores do amor), quando o personagem Red ao perceber que seu amante deixou uma escova de dentes na sua casa, não pensou duas vezes. Colocou-a imediatamente em um envelope, foi até o trabalho do cara e, interrompendo uma reunião, disparou: “É, começa com a escova de dentes e logo estaremos brigando por causa da roupa suja. Se quer amor verdadeiro e compromisso, arranje um cachorrinho!” Não resta dúvida de que, para ele, a escova de dentes simboliza compromisso. Será?

Fiquei pensando em quantas escovas de dentes tenho espalhadas pela cidade. Numa contagem rápida, acho que são quatro. Mas assim como eu havia esquecido desta cena (o filme é de 2003 e eu já havia assistido antes), esqueço também as escovas por aí. Não volto para pegá-las porque normalmente não sei quando será a última vez que vou usá-las. Sempre há uma possibilidade. Mas quando temos certeza que o relacionamento acabou, o que fazer com a escova que deixamos ou que deixaram? Cada pessoa tem seus próprios critérios para definir quando um ficante deixa de sê-lo para tornar-se algo mais sério.

Eu não acredito que um simples objeto deixado no banheiro possa determinar vínculo. É preciso mais que isso.

Fico com a impressão de que o pânico que certas pessoas têm da palavra “compromisso” pode causar situações, desnecessariamente, embaraçosas.

Outro dia no trabalho, ouvi uma história burlesca sobre isso. Uma “mulher-pegadora” ,que combinava encontros pela Internet,  quando se encontrava com as presas simplesmente não falava nada sobre si. E se o cara insistisse perguntando, por exemplo, seu nome, ela dizia o mesmo texto ensaiado: “Pra que você quer saber meu nome? Vai me investigar na Polícia? Vai me mandar carta?”. Para ela, saber o nome gera compromisso. O que diria de uma escova de dentes?

De outro modo, tenho um amigo que trata a questão de forma bastante “econômica”. Ele deixa sempre a mesma escova na embalagem já aberta, e sempre que aparece um novo convidado, ele finge estar abrindo naquele momento e a oferece como se fosse nova. As pessoas não costumam prestar atenção nos detalhes. E são os detalhes que sinalizam mudanças.

Sou do tipo que nunca pergunta coisas do tipo “quer namorar comigo?” ou “estamos namorando?”. Acredito que estas respostas se dão com o tempo. Então, presto atenção nas pequenas coisas. Geralmente começa pela escova de dentes, passa por camisetas e cuecas deixadas no final de semana até chegar ao ponto de ter uma gaveta no armário.

Existe indício mais forte de compromisso que ter uma gaveta no armário de alguém?

P.S.: A tal mulher-pegadora que tinha fobia de compromisso, hoje é evangélica.

(Texto escrito em 20/03/2009)

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