depois dos temporais

Hoje a América Latina deu um passo tímido mas fundamental para que possamos ir à frente rumo a cidadania plena nessa parte do globo. Na Argentina, os homossexuais já podem se casar, constituírem família com todos os direitos e deveres das pessoas que assim o desejam. De agora em diante não só amor, companheirismo e compromisso unem dois gays argentinos: mas inclusão social com dignidade,com garantias e com reconhecimento legal. Assim melhoramos.

gays argentinos_thumb[3]

Alex Freyre e José María Di Bello, homossexuais latinos-americanos, se casaram no dia 28 Dezembro de 2009 e de hoje em diante, oficialmente, serão um dos muitos casais gays plenos e felizes na Argentina.

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6 Respostas to “depois dos temporais”

  1. Passo latino americano absolutamente nada tímido! O Cardeal Bergoglio é “partner” do Cardeal Bertone e foi fragorosamente derrotado pelo estado laico argentino.
    Tímida é a organização GLBT do Brasil, que mesmo com um estado político ineditamente favorável e uma Igreja Católica nem tão severa, ainda não conseguiu o que a Argentina, históricamente implementou no dia 15 de julho de 2010.

  2. Luiz Claudio Lins Says:

    Prezado Benjamim,

    a “timidez” a qual me refiro é de outra ordem. Cidadania é um conceito muito mais amplo do que somente direitos LGBT. Somos uma região do planeta que possui locais onde o índice de pobreza é um atentado à dignidade humana. Miséria, analfabetismo e graves problemas sociais não são privilégios brasileiros. São tristezas comuns a diversos povos latino-americanos.

    Diante dessa perspectiva histórica e de caráter ideológico, claro que as questões homossexuais são importantes e nos calam fundo pois nos afetam de forma pessoal e afetiva.

    Mas a luta por justiça e direitos é uma ação política e deve ser ampla, geral e irrestrita. Talvez isso explique o porque um país como a Argentina, vítima da maior e mais cruel ditadura latino-americana que se tem notícia, seja pioneira nessa decisão.

    A consciência política deverá sempre superar nossas idiossincrasias e nossos egos. Pois só assim seremos maiores e melhores do que aqueles que nos desqualificam.

  3. Sem dúvida que os direitos de todos à cidadania plena é também o meu desejo. Mas penso primeiramente que, no caso dos gays argentinos, com muito pouco, apenas uma simples alteração de um termo de uma lei, agregou-se uma comunidade inteira no corpo social, que agora está livre de um fardo. E livre desse fardo poderá incorporar-se, e o fará certamente, à luta dos outros excluídos da cidadania, para o que não basta apenas uma sessão de congresso.

    E mais importante, e por isso não pode ser visto como tímido o acontecimento do dia 15 último na Argentina, o que se verificou de fato foi o desmontar com essa alteração, o conceito restrito de família, que abala nas fundações o poderio de um clero sectário, que é justamente a quem não interessa a plena cidadania, porque aos tiranos e ditadores a cidadania é contrária aos seus propósitos.

    Além disso, embora a aprovação do casamento gay não seja o mesmo que a criminalização da homofobia, a sua institucionalização escancara a porta que leva as brigadas que batalham pelo fim do preconceito, da discriminação e do ódio às diferenças, sejam de que ordem for e onde for: política, econômica, social, cultural, etc. Que em suma quer dizer: cidadania plena para todos.

    Na minha opinião, o casamento gay é hoje a mais poderosa arma de uma sociedade que se pretende igualitária, justa e livre, para todos sem exceção

  4. Este é um momento importantíssimo para a sociedade latino americana.
    Esta conquista é superior em força do que podemos imaginar, pois significa quebrar paradigmas em uma sociedade extremamente machista.
    Me recordo de uma viagem que fiz em 1978 para Buenos Aires, quando tive como companheiro de poltrona um rapaz argentino gay. Ele comentou comigo que possuía grande receio de continuar vivendo em seu país, porque “os militares também prendiam e desapareciam com pessoas que tinham comportamentos afetivos sexuais diferentes daqueles aceitos pela sociedade conservadora argentina”.
    Hoje, ao acompanhar a nova realidade desse país, comemorei.
    A meu ver o fator facilitador para esta aprovação é um diferencial significativo nesta cultura que falta a nós brasileiros:
    – Povo extremamente culto e politizado, o que soma nestes momentos de força política.
    Temos que repensar urgentemente o nosso Brasil
    Anna M. Rizzo
    Psicóloga, consultora RH e docente universitária.

  5. Arthur - HoJE Says:

    LC, entendo perfeitamente o sentido da ‘timidez’ a que se refere, principalmente levando em conta que falou da América Latina, no geral, e não apenas da Argentina.
    O país vem como ponta de lança de um movimento internacional que me parece irreversível, ainda que lento.

    É mais significativo pela Argentina contemplar ainda o conceito ultrapassado de ‘religião oficial’, atribuído ao catolicismo e incorrendo na enorme influência do Vaticano e seu Clero na vida política.

    Vale notar que a maioria dos Ilustres Senadores (sim, merecem o tratamento!) que discursaram e votaram favoravelmente à aprovação do CASAMENTO CIVIL sem quaisquer restrições entre os contraentes declararam-se católicos.

    Em termos de América Latina, ainda mais quando consideramos o peso e o tamanho do Brasil neste grupo de países, é mesmo um primeiro passo, tímido por não ser tão abrangente se lembrarmos que toda a Argentina corresponde em população e economia ao Estado de São Paulo, e incrivelmente ousado por todas as questões históricas daquele país.

    Surpreende-me o fato desta guinada ocorrer em meio a uma crise econômica grave, situação que usualmente reforça os poderes de conservadores e da Igreja em sociedades parecidas, a moeda local está com câmbio de aproximadamente 2 para 1 em relação ao Real e quase 4 para 1 ao Dollar.
    Os ânimos estão acirrados, a autoestima baixa e, teoricamente, seria o pior momento para se levar o assunto para votação… seria, porque o Senado de la Nación fez coincidir a pauta com o aniversário da tomada da Bastilha.

    Sob o mote de ‘Liberté, Egalité, Fraternité!’, considerando ainda a decisão0 de Napoleão de descriminalizar a homossexualidade resolveram dar um basta aos mandatários da Igreja e numa votação apertada (contou com abstenções de última hora para aumentar a diferença) aprovou a mudança histórica.

    É triste perceber que o Brasil, historicamente mais ‘moderno’ em termos de conceitos gerais de legislação (e desde o Primeiro Império), deixando-se levar pelas conveniências político-partidárias não caminha para mudanças efetivas. Aliás, não caminha, com projetos engavetados e uma ladainha de discursos populistas vazios, sem vontade política de fazer realmente alguma mudança.

    É hora de cobrarmos tais mudanças, que mais não seja, pela vergonha que o atraso representa e reflete.
    Mas temos que fazer nossa parte, temos assumir a frente do debate, obrigar a entrada do assunto na pauta de discuções.
    Ninguém o fará por nós!

  6. Um governante que se preze tem que acabar com essa história de ficar pagando pau para os oráculos. É assim que a verdadeira democracia constrói uma sociedade e é onde ela começa. A cidadania, a hegemonia do indivíduo, a igualdade de direitos, os direitos humanos é que são a origem da sociedade. Por isso o que aconteceu na Argentina, nesse momento em que matrimônio deixou de ser entre “homens e mulheres” e passou a ser “contraentes”, o que se verificou foi um grande momento em que o indivíduo adquiriu seu rosto, sua cara.

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