Arquivo de agosto, 2010

no orkut

Posted in informativo on 31/08/2010 by Homofobia Já Era

Por conta da instabilidade do sistema e por seguidas ameaças de hackers, a equipe de moderação da Comunidade Homofobia Já Era resolveu suspender, temporariamente, as atividades.

Voltaremos em breve.

the naked duck

Posted in fotografia, homoerotismo with tags on 28/08/2010 by Homofobia Já Era

 

Thumbnail via WebSnapr: http://www.thenakedduck.net/ Thumbnail via WebSnapr: http://www.flickr.com/photos/nakedduck/

à meia-luz : uma etnografia imprópria sobre clubes de sexo masculinos

Posted in Teses with tags , on 27/08/2010 by Homofobia Já Era

Esta etnografia foi feita a partir de locais comerciais para encontros sexuais entre homens, notadamente clubes de sexo, na cidade de São Paulo, Brasil. O objetivo geral é o de trazer elementos empíricos para os debates sócio-antropológicos atuais em torno das sexualidades e erotismos “não-heterossexuais”, em contextos de segmentação de mercado. Além disso, dialogar com os debates contemporâneos acerca da relação entre “homossexualidades” e “masculinidades”. A escolha de clubes de sexo para homens como campo de investigação foi estratégica, pois permitiu articular 1) o processo de criação de novas segmentações no mercado de lazer sexual entre homens no Brasil com 2) a apropriação contextual de um processo que alude à valorização, incorporação e performatividade de estereótipos relacionados à virilidade nas relações afetivo-sexuais entre homens. Os leather sex clubs norte-americanos e europeus de meados dos anos 1960 a 1980 são aqui tomados como uma espécie de convenção, que migrou via mercado para outros contextos, a partir dos anos 1990. Uma aproximação para a compreensão deste processo no Brasil é dada a partir dos clubes de sexo duro de Madrid, na Espanha. Apresento a história dos clubes de sexo paulistanos a partir das entrevistas com seus donos e idealizadores, discutindo o contexto que tornou tais estabelecimentos possíveis, aliando segmentação de mercado às próprias trajetórias e escolhas eróticas dessas pessoas. Indago acerca dos sentidos que adquirem esses estabelecimentos para quem os usa e sobre como os freqüentadores interpretam as experiências neles vividas. Por fim, abordo o tema do controle, nos clubes, de práticas corporais tomadas como potencialmente descontroladas. Isso leva à questão: quais são os corpos que importam nesses locais? A análise sugere que essas experiências à meia-luz estão norteadas não apenas por marcadores sociais de diferença, mas também pela idéia do controle

Data da defesa: 26-04-2010
Orientador: Maria Filomena Gregori
Instituição: Universidade Estadual de Campinas . Instituto de Filosofia e Ciências Humanas
Nível: Tese (doutorado)
UNICAMP: Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais

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london by pet shop boys

Posted in vídeos with tags on 24/08/2010 by Homofobia Já Era

no fim do arco-íris *

Posted in balada, comportamento, diversidade with tags on 22/08/2010 by Homofobia Já Era

Gordinhos, carecas e grisalhos. Longe do hype e da badalação do mundo gay, homossexuais de 30 a 70 anos se encontram semanalmente numa festa no centro de São Paulo. Filhos de uma época em que a discriminação e a repressão eram maiores do que são hoje, eles deixam de lado o culto ao corpo e à juventude, buscam relações estáveis, não têm iPod nem dão muita bola para a São Paulo Fashion Week

Bigodes, bigodes por toda parte. Na pista, a meia-luz, os bigodes dançam e flertam, pedem coquetéis, um gim-tônica, flutuam sobre os copos de hi-fi, puxam papo. Castanhos, brancos, tingidos. Bem aparados, molhados de cerveja, cantam Maria Bethânia, Roberto Carlos. Vibram quando da cabine do DJ saltam os primeiros naipes da orquestra de Ray Conniff. Alguns, tímidos, escondem o sorriso; outros, os mais atirados, se aproximam, falam no ouvido. A música fica lenta e os bigodes, bem juntinhos, deslizam pelo baile. A festa começou. O de bigode prateado é o Ivan Santos. Contador, tem 50 anos e freqüenta o ABC Bailão há oito. Há quatro anos, ele organiza no Bailão uma noite beneficente que arrecada alimentos para uma creche. Ivan já foi casado e tem duas netas; pediu o divórcio porque não queria manter uma vida dupla. É homossexual assumido desde os 25 anos. No momento, Ivan está solteiro. Procura alguém de 25 a 35 anos para um relacionamento sério. “Quero conhecer uma pessoa pra ficar junto, sair pra jantar, bater papo”, explica Ivan. “Um homem sincero, que tenha bom caráter e dance forró direitinho, de preferência de rosto colado.” Ivan (que no Orkut participa de comunidades como “Procuro Namoro Sério entre Gay”, “Timão Bicampeão da Parada Gay” e “Dormir de Conchinha”) namorou cinco anos um companheiro que conheceu no bailão. “É um ótimo lugar para fazer amigos”, diz.

O ABC Bailão, no centro de São Paulo, existe há mais de  dez anos. Abre de quinta a domingo e recebe cerca de 450 pessoas por noite. Amarildo Donizete, 44 anos, bigode preto com fios grisalhos, é um dos dois sócios. Fala que o sucesso da casa se deve ao clima família. “Aqui não temos dark room, é proibido ficar sem camisa e os seguranças fazem rondas periódicas e advertem os mais empolgados para evitarem uma pegação excessiva”, conta. Michês, travestis e drag queens não são habitués do local, e na pista, no lugar dos costumeiros go-go boys, colunas gregas e uma samambaia.

Às quintas-feiras, o ABC (sigla que significa “Amigos Bailam Comigo”) é predominantemente da terceira idade. Quem tem mais de 50 anos paga cinco reais de entrada com direito a uma cerveja. Incluído no preço, um farto buffet de frios, tortas, saladas e frutas. “O que faz mais sucesso é a batata com alecrim e sal grosso”, revela o chef Erasmo Bezerra, 40 anos, responsável pelo buffet. Esfihas, coxinhas e croquetes também estão entre os preferidos da noite, que ficou conhecida como “fome zero”.

Nas pick-ups, os DJs Francisco e Fernando tocam de tudo. De rock a sertanejo. De flashback a bolero. “É o baile do talco, porque olhando de cima só vemos cabeça branca”, brinca o DJ Francisco, de 47 anos, enquanto alisa o bigode e levanta a pista com uma canção da banda Calypso. “Tem cliente que traz CD de casa pra gente tocar”, comenta o DJ Fernando. “Quando  colocamos Madonna no telão, a interação é total.” Fernando, bigode castanho, 40 anos, diz que é comum receber cantadas. “O pessoal paquera, manda telefone, mas tudo no maior respeito”, fala.

As pessoas que frequentam o Bailão são discretas. João (nome fictício), por exemplo. Ele tem 57 anos, usa sapatos, cinto e bigode caramelo. É de Bauru e, funcionário de uma estatal, costuma vir a trabalho para São Paulo. Ninguém de Bauru — nem família, nem amigos — sabe que ele é gay. “O preconceito é muito grande, não mudou nada”, assegura. João já teve namoradas, mas só para disfarçar sua opção sexual. Quando vem a São Paulo se hospeda em um hotel na avenida Vieira de Carvalho, na Praça da República, perto de boates como a recém-inaugurada Cantho e de bares como o Caneca de Prata e o Lord Byron, pontos de encontro do pessoal mais velho. João, como a maioria dos frequentadores do ABC Bailão, não gosta de homens afeminados. “Prefiro machos, homens de verdade”, diz.

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poderosa chefona*

Posted in revistas with tags , on 22/08/2010 by Homofobia Já Era

Andréia de Maio foi a última cafetina-travesti romântica de São Paulo. Mesmo temida, era mãezona das “meninas” do centrão. Morta há mais de dez anos, foi personagem de um sem-número de boas histórias do underground paulistano

AM1Começo dos anos 80, a boate gay Homo Sapiens bombando na Marquês de Itu. Todo mundo ia lá, de socialite a traveco. Rua lotada com o povo no esquenta nos bares em frente, para um Miúra branco e desce um travesti enorme de vestido curto, bolerinho de pele animal e um tchaco embaixo do braço. “Ela só tinha ido ver se estava tudo certo”, lembra a drag Marcelona, na época apenas Marcelo Ferrari, um adolescente de 16 anos. Quem desembarcava do esportivo importado era Andréia de Maio, a última cafetina, digamos, romântica da rua Amaral Gurgel, epicentro da prostituição de travestis em São Paulo há décadas. Andréia cobrava das meninas, era temida por traficantes, michês e trombadinhas e respeitada pela polícia. Sob seu comando, a região tinha ordem. E, apesar da fama de má e do tchaco, a xerife tinha instinto maternal pelos travestis mais novos. Não faltava playboy folgado tomando sopapos por sua ordem, e ela ia direto à delegacia resgatar protegidas. “O travesti está sempre vestido de palhaço, é Carnaval o ano inteiro.

Acaba sendo duplamente falso: altera seu corpo e identidade e transmite uma alegria impossível. Quem é feliz deitando com cinco homens por noite, apanhando da polícia e de boy e sendo rejeitado por toda a sociedade?” Dourar a pílula não fazia parte do estilo de Andréia. O ano agora é 1995, e Andréia fala sentada em uma banqueta alta na porta de sua boate, a Prohibidu’s, embaixo do Minhocão. Eu, então um estudante de jornalismo, não tinha a dimensão do poder daquele travesti quarentão e desleixado, que me contava histórias cavernosas do universo à nossa volta. Cabelo preso, olhar triste, voz firme, barba malfeita, o pequinês Al Capone sempre por ali e uma calça de moletom sob medida para acomodar suas coxas e bunda enormes, deformadas por mais de 10 l de silicone industrial – “um Fusca em cada perna”, dizia. Essa era a Andréia em seus últimos anos. “Ela cansou de se montar. Só muito de bom humor soltava o cabelo ou passava um batonzinho”, lembra a corpulenta Kaká di Poli, drag das antigas e amigona do peito de Andréia.

Cansada ela estava mesmo de muita coisa, inclusive do próprio corpo. Internou-se em uma clínica de cirurgia plástica em maio de 2000 e passou por uma delicada cirurgia de retirada do silicone. Era parte de sua preparação para deixar a noite. Na manhã seguinte à intervenção, sentiu-se muito mal e rapidamente morreu, aos 50 anos, possivelmente de embolia. Kaká se emociona lembrando do episódio. Ergue a voz e amaldiçoa o médico, mas logo conforma-se. “O sonho dela era tirar aquela bunda, e ela foi embora sem a bunda.”

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tolices

Posted in arte, letra & música with tags on 20/08/2010 by carlinhos

pato fu

“Tolices” é uma música do Ira!, composta por Edgard Scandurra nos anos 80 e regravada pelo Pato Fu em 2001. A letra fofinha não deixa que os mais desatentos percebam o conteúdo homo-afetivo implícito em seu conteúdo. Para nós, fica fácil perceber que alguém, de dentro do armário, está a declarar seu amor por uma pessoa do mesmo sexo (“andamos na mesma rua”). Alguém que, por não sentir-se a vontade para fazer uma declaração explícita, apenas “imagina” a possibilidade de uma relação. É bom lembrar que, na verdade, Edgard Scandurra nunca falou sobre o conteúdo dessa canção, sendo essa uma interpretação bastante particular de sua letra.

São tolices
Que penso sobre você
Você não pensa em mim
Por que andamos na mesma rua?
Vivo Sonhando
Imaginando você
Imagino pegadas
E as vou seguindo

É tolice eu sei
Você não sente os meus passos
Mas eu imagino
Mas eu imagino

São tolices
o que penso sobre você
Você não pensa em mim
Por que andamos na mesma rua?
Vivo Sonhando
Imaginando você
Imagino pegadas
E as vou seguindo

Um olá talvez
Mas para mim de nada vale
Isso estragaria
O meu “faz de conta”

É tolice eu sei
Você não sente os meus passos
Mas eu imagino
Mas eu imagino

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