senadora fátima cleide (pt-rondônia)

Discurso proferido dia 17.11.2010

“Sr Presidente
Senadoras e Senadoras

Venho hoje a essa tribuna falar das coincidências da história de quatro jovens brasileiros: Douglas (19), Luis Alberto (23), Rodrigo (20) e Alexandre (14).

Nenhum deles se conheceu, mas tem seus nomes estampados nos jornais, sites e programas de TV em todo o Brasil  pela mesma razão: Vítimas da violência discriminatória e preconceituosa que assola o nosso país.

Douglas Igor Marques Luiz foi baleado no Abdômen no início da madrugada do dia 15 passado.  As testemunhas afirmam que o disparo foi efetuado por um militar do exército, que ao afirmar que “odiava” aquela raça, empurrou o jovem, jogando-o no chão, e realizou o disparo. Mais assustador é que o Comando Militar do Forte de Copacabana afirmou que não houve o disparo, sem mesmo dizer que uma investigação mais aprofundada seria feita.  Felizmente, Douglas não corre risco de morte, mas seguramente carregará consigo a marca da homofobia em sua vida.

Na madrugada anterior ao acontecimento no Rio de janeiro, Luis Alberto e Rodrigo caminham na Av. Paulista, quando aparecem 5 jovens, sendo 4 adolescentes.  Esses começam a ofendê-los com dizeres homofóbicos e em seguida partem para a violência física. Rodrigo consegue escapar, se escondendo numa estação do metrô. Luis Alberto fica a mercê dos cinco agressores, que a chutes e socos quebram duas lâmpadas fluorescentes. Porteiros e seguranças dos prédios próximos socorrem o rapaz e chamam a polícia. Os agressores são detidos.  Felizmente, nem Rodrigo nem Luis Alberto correm risco de morte, mas carregarão as marcas de homofobia por suas vidas.

Dia 20 de junho, Alexandre Ivo, sai de casa, em São Gonçalo-RJ, para assistir um dos jogos da seleção brasileira na Copa do Mundo. Seria a ultima vez que faria isso.  Depois de uma briga na casa dos amigos onde assistia a competição, foi perseguido, espancado, abatido por barras de ferro e em seguida enforcado.  Os acusados desse horrendo assassinato estavam envolvidos na briga mais cedo e segundo os amigos de Alexandre tudo foi ocasionado pelo discurso homofóbico dos agressores.  O julgamento está transcorrendo, dia 07 de dezembro acontecerá uma nova audiência.  Infelizmente, Alexandre Ivo, de apenas 14 anos, não sobreviveu. Foi morto pelo preconceito e a discriminação homofóbica que toma conta do Brasil.

Segundo o Grupo Gay da Bahia, apenas em 2010, 170 homossexuais, entre gays, lésbicas e travestis foram assassinados em nossa pátria por conta da homofobia.

Sr. Presidente, Senadores e Senadoras

Quantos ataques e mortes deverão ocorrer para que aprovemos uma legislação que puna e coíba esses crimes? Quantas famílias deverão ser atingidas por essa barbárie? Até quando assistiremos esse horror?

Venho aqui em nome dos homens e mulheres desse país que acreditam em uma sociedade mais justa e digna, onde não há espaço para qualquer tido de discriminação e preconceito, exigir que as providências cabíveis sejam tomadas e que os agressores sejam punidos.  Que o Exército Brasileiro esclareça melhor o ocorrido na pedra do Arpoador.  Que justiça seja feita em São Gonçalo e em São Paulo.

Aproveito a oportunidade para convidar os Senadores e a população em geral para participarem da audiência pública sobre o Bullying Homofóbico que realizaremos na Comissão de Educação desta casa.

Quero também, me solidarizar com os três jovens sobreviventes aos ataques, seus familiares e amigos, e em especial  a mãe Angélica Ivo que tem sido uma guerreira na luta pela condenação dos assassinos de seu filho.

Por fim, convoco mais uma vez aos Senadores e Senadoras para que façamos um grande esforço para a aprovação do PLC 122 que pretende dentre outros temas, criminalizar a homofobia no Brasil.

Era o que tinha a dizer.

Muito obrigada”.

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2 Respostas to “senadora fátima cleide (pt-rondônia)”

  1. Arthur - HoJE Says:

    Senadora Fátima Cleide, uma voz de peso que se manifesta no plenário do Senado.
    É triste pensar que sua presença estará limitada ao final deste mandato e faço votos que seu retorno seja breve. Sou de SP e não poderia dar-lhe meu voto, mas é o país que perde com seu afastamento.
    Em respeito a sua luta e à solidariedade à causa contra o preconceito devemos a ela todo nosso apoio para que tenha, como relatora, o PLC 122 aprovado ainda neste mandato.
    Não é impossível, principalmente se o Planalto usar sua influência e sair dos meros discursos para as ações práticas.

  2. Cara Senadora:
    Quero parabenizá-la por sua defesa e reforçar meu repudio pelas agressões que tem ocorrido em nosso país.
    Necessitamos fazer algo urgente em termos de legislação e também relativos à passeatas para expressarmos nossas indignações com atitudes primitivas e destrutivas.

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