Arquivo para dezembro, 2010

com licença, eu vou à luta (em 17.12.2010 )*

Posted in cidadania, direitos GLBTT, política on 27/12/2010 by Homofobia Já Era

JW1 Jean Willys,1º deputado federal homossexual brasileiro

“ Ontem eu me diplomei deputado federal pelo Psol do Rio de Janeiro. Durante a cerimônia, realizada com pompa no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, com a presença das estrelas da política nacional, rememorei minha vida até aqui como se ela fosse um filme. Muitos de vocês sabem que a injúria contra os homossexuais provoca quase sempre estragos irreparáveis à subjetividade ou à alma de uma pessoa.

Agora imaginem essa infância gay combinada à pobreza extrema em que vivíamos na periferia de Alagoinhas, em que sequer água e sanitário havia nas casas de aluguéis em que morávamos… Não bastasse a miséria, e talvez mesmo por conta dela, meu pai enfrentava problemas com alcoolismo e, por isso, não parava nos subempregos que, vez em quando, permitia-lhe trazer comida pra casa. Minha mãe trabalhava como lavadeira para não nos deixar morrer de fome e, para ajudá-la nessa tarefa nobre, eu fui, aos 10 anos, para o mercado de trabalho informal. Trabalhava num turno e estudava em outro. Aos sábados e domingos, eu e meus irmãos nos dedicávamos às atividades do centro comunitário da Baixa da Candeia.

Diante das necessidades, minha mãe queria que a gente abandonasse a escola para se dedicar mais ao trabalho: conseguir uma vaga numa oficina mecânica qualquer ou de cobrador de ônibus. Para ela, era importante que fôssemos honestos e respeitássemos o que era dos outros. Mas, para minha mãe, não era tão importante que a gente estudasse, pois, na cabeça dela, dedicação a estudos era coisa de gente rica. Mas eu sempre gostei de aprender e de ler. Sempre gostei da escola, e para a escola eu ia mesmo nos dias em que não havia absolutamente nada para comer lá em casa, e aos sábados e domingos passava horas na biblioteca da casa paroquial lendo livros.

Livros que me deram valores humanistas e a preocupação com o outro, típicos do cristianismo – sim, porque se, por um lado, o cristianismo fundamentalista e sua ameaça ao Estado laico e de direitos nos apavoram, por outro, é inegável que foi o cristianismo que nos trouxe essa ideia de que o que torna um homem virtuoso são os seus atos, ou seja, para o cristianismo, um ser humano é virtuoso quando age em favor do bem comum; livros que me levaram ao movimento pastoral da Igreja Católica – eu me engajei na pastoral da juventude estudantil e na pastoral da juventude do meio popular – e ao trabalho nas comunidades eclesiais de base. A família de meu pai sempre foi ligada ao candomblé, mas eu só vim me aproximar e me aprofundar nessa religião depois dos 20 anos.

Leitura e livros que me fizeram ver a televisão com outros olhos (televisão que só chegou à minha casa quando eu tinha 11 anos). Livros que me fizeram escapar dos destinos imperfeitos aos quais ainda estão condenados os meninos e meninas dos bolsões de pobreza. Formei-me em informática no ensino médio, numa instituição de excelência voltada para alunos de escolas públicas do Nordeste que estivessem acima da média 8: a Fundação José Carvalho; entrei no mercado formal de trabalho bem remunerado; nesse mesmo ano fiz vestibular para Jornalismo na Ufba, onde me formei; trabalhei anos como jornalista e, depois de concluído o mestrado, passei a me dedicar mais ao ensino superior.

Deixei os anos de miséria para trás (não que eles ainda não me assombrem); fiz a tal mobilidade social sem contar com a ajuda financeira dos meus pais – que, ao contrário, dependiam de mim – nem de apadrinhamentos de qualquer tipo!

Eu, que  poderia ter morrido de fome ou por falta de serviço de saúde público; que poderia ter sumcumbido a uma bala de revólver da polícia ou dos bandidos ou à homofobia que reina nas comunidades, transformei minha vida e a de minha família para melhor. Poderia me contentar com isso e só olhar para frente! Mas, e os que ficaram para trás? Aqueles que, abandonados pelo Estado à própria sorte, não tiveram a força de vontade de resistir e sobreviver à miséria?  E aqueles que ficariam para trás, que estariam fadados a morrer vítimas das guerras de quadrilhas ou nas mãos da polícia, como aconteceu a muitos dos meus colegas da Baixa da Candeia? E aquelas crianças homossexuais que não sobreviveriam ao ambiente de hostilidade homofóbica? Como é possível viver contente se seus semelhantes ainda são vítimas das injustiças? Pode haver gente egoísta no mundo, mas eu não faço parte dela! Ter uma vida confortável, relativamente segura e trabalhar, por meio da educação superior e do jornalismo, pelos direitos humanos, não me impediram de reconhecer que isto ainda é pouco; que eu posso fazer mais para melhorar a vida dos outros e que este muito mais passa necessariamente pela política. Daí eu ter decidido me candidatar a deputado federal. Então, agora que me diplomei, eu lhes digo: com licença, eu vou à luta!

 

* publicado originalmente em

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robbie williams – shame

Posted in letra & música, videoclipe with tags , on 19/12/2010 by Homofobia Já Era

excelência na educação

Posted in comportamento, conhecimento, direitos GLBTT, educação with tags on 18/12/2010 by Jisuis

A ONG Global Alliance for LGBT Education — Aliança Global pela Educação LGBT (termo utilizado para referir lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) deu a Marina Reidel o prêmio Educando para a Diversidade, por seu trabalho educacional Diga Não à Homofobia Escolar.

Educadora e Transexual, Marina dedica sua competência também no fomento das discussões saudáveis no combate ao preconceito, como se pode ver  na reportagem aqui.

Ela  foi homenageada na parada da diversidade de Porto Alegre, realizada este fim de semana.Para quem não se lembra dela, foi uma das depoentes da novela Viver a Vida – veja aqui.

Daqui segue nossa alegria por existir uma mulher de coragem, uma educadora comprometida e uma brasileira ferrenha em suas convicções para construção de um país melhor.

Parabéns, Marina!

eu não quero voltar sozinho

Posted in filme with tags , , on 18/12/2010 by Homofobia Já Era

 

nao quero  

 

 

 

 

 

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acesse, leia, reflita, se emocione e compartilhe

Posted in ciberativismo on 18/12/2010 by Homofobia Já Era

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assim melhoramos

Posted in agressão, ciberativismo, direitos GLBTT on 15/12/2010 by Homofobia Já Era

12.12.2010,Doceira Ofner no bairro dos Jardins em SP.

 

kissinofner

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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deputado Jean Wyllys esclarece:

Posted in política with tags on 09/12/2010 by Homofobia Já Era

Tendo em vista as notícias veiculadas sobre liminar concedida pelo Ministro Marco Aurélio Mello, do TSE, O PSOL-RJ e Assessoria de Comunicação de Jean Wyllys vêm manifestar-se:

O PT do B, nas eleiçöes de 2010, teve indeferidos os registros de dezoito candidatos a deputado federal, que totalizam 18.687 votos nulos. Inconformado por não alcançar o quociente eleitoral para eleger sequer um candidato a deputado Federal, impetrou junto ao TSE, Mandado de Segurança com pedido de medida liminar contra o Acórdão do TRE-RJ que proclamou o resultado das eleições proporcionais de 2010. Cabe salientar que existe divergência doutrinária e jurisprudencial quanto a competência do TSE para apreciar e julgar ato de Presidente de Tribunal Regional.

O PT do B obteve 176.648 votos válidos, enquanto o mínimo necessário para eleger um deputado federal, no Estado do Rio de Janeiro, era de 178.448, portanto, não logrou eleger nenhum deputado. O PSOL-RJ recebeu 320.244 votos válidos, o que lhe dá o direito a duas cadeiras na Câmara Federal, conforme quociente eleitoral.

Mesmo após computados todos os votos dos candidatos INDEFERIDOS, de todos os partidos, o PSOL-RJ continuaria com duas cadeiras de Deputado Federal, não alterando o quadro eleitoral do partido e, consequentemente, mantendo a vaga de JEAN WYLLYS.

Importante acrescentar, que caso viessem a ser computados os votos dados aos candidatos indeferidos, os cálculos teriam que ser feitos por todos os TREs do Brasil, ocasionando alterações significativas em diversos estados. Ainda assim o PSOL-RJ permaneceria com duas vagas de deputado federal.

Resta lembrar que o parágrafo único do artigo 16-A da Lei 9.504/1997, alterada pela Lei. 12.034/2009, expressa:

Art. 16-A. O candidato cujo registro esteja sub judice poderá efetuar todos os atos relativos à campanha eleitoral, inclusive utilizar o horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão e ter seu nome mantido na urna eletrônica enquanto estiver sob essa condição, ficando a validade dos votos a ele atribuídos condicionada ao deferimento de seu registro por instância superior. (Incluído pela Lei nº 12.034, de 2009) Parágrafo único. O cômputo, para o respectivo partido ou coligação, dos votos atribuídos ao candidato cujo registro esteja sub judice no dia da eleição fica condicionado ao deferimento do registro do candidato. (Incluído pela Lei nº 12.034, de 2009).

O TRE-RJ ainda não se manifestou quanto ao ”refazimento” dos cálculos, ou seja, a soma dos votos válidos dos partidos políticos com os votos considerados legalmente NULOS dos candidatos indeferidos. Assim, manifestamos nossa posição contrária ao pleito do PT do B, por desrespeitar flagrantemente a Lei.

E se o Jean Wyllys não se manifestou publicamente até agora é porque queria divulgar a notícia de maneira responsável por se tratar de assunto relevante, merecedor de cuidados, visto modificar o resultado da expressão mais legítima do povo brasileiro, a eleição de seus representantes, diferentemente do papel cumprido por uma minoria da mídia que divulga interpretações equivocadas que causam dano à imagem.

A eleição dos companheiros Chico Alencar e Jean Wyllys no Rio de Janeiro foram expressões da resistência política e ética em nosso Estado. Fizemos uma campanha com a ficha e a cara limpa, com idéias e projetos sem placas ou militância paga. O deputado Jean Wyllys foi eleito, será diplomado e temos certeza que fará um excelente mandato.

Neste momento estamos tomando as medidas jurídicas cabíveis, mas acima de tudo estamos certos de que o resultado democrático das urnas será respeitado.

fonte: http://jeanwyllys5005.com.br/nota-do-psolassessoria-de-comunicacao-de-jean-wyllys

 

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