Archive for the homoafetividade Category

quem quer que seja você a segurar agora a minha mão,

Posted in homoafetividade, literatura on 10/11/2010 by Homofobia Já Era

sem uma coisa tudo será inútil,

dou-lhe um honesto aviso antes que você me tente mais,

não sou o que você supôs, mas muito diferente.

Quem é aquele que deseja se tornar meu seguidor?

Quem se apresentaria como candidato às minhas afeições?

O caminho é suspeito, o resultado incerto, talvez destrutivo,

você teria de desistir de tudo o mais, eu sozinho haveria de ser seu estandarte único e exclusivo,

seu noviciado seria pois longo e exaustivo,

toda a teoria passada da sua vida e toda a conformidade com as vidas ao seu redor teriam de ser abandonadas,

assim me deixe agora antes que se complique mais, tire a mão dos meus ombros,

me largue e siga o seu próprio caminho.

Ou então furtivamente em alguma floresta, para tentar apenas,

ou atrás de uma rocha ao ar livre

(pois em nenhum quarto coberto de nenhuma casa eu emerjo, nem em companhia, e nas bibliotecas permaneço como quem é mudo, ou parvo, ou não nascido, ou morto),

mas muito possivelmente com você numa colina alta, primeiro vigiando por milhas em volta para que ninguém se aproxime sem avisar,

ou possivelmente com você a velejar no mar, ou numa praia do mar ou numa ilha sossegada,

aqui eu permito que você coloque seus lábios sobre os meus,

com o beijo prolongado do camarada ou o beijo do recém-casado,

pois sou o recém-casado e sou o camarada.

Ou, se você quiser, metendo-me entre suas roupas,

onde poderei sentir os soluços do seu coração ou repousar sobre o seu quadril,

carregue-me quando for através das terras e dos mares;

pois apenas tocar você assim é o bastante, é o melhor,

e tocando você assim eu adormeceria em silêncio e seria carregado eternamente.

Mas examinando estas folhas você se arrisca,

pois a estas folhas e a mim você não entenderá,

elas o eludirão no princípio e mais ainda depois, eu certamente o eludirei,

mesmo quando você pensar que me apanhou de modo inquestionável, cuidado!,

você logo verá que lhe escapei.

Pois não é pelo que coloquei neste livro que o escrevi,

nem é pela leitura dele que você o ganhará,

nem são esses que me admiram e me elogiam com jactância aqueles que me conhecem melhor,

nem são os candidatos ao meu amor (a não ser no máximo alguns poucos) os que sairão vitoriosos,

nem meus poemas farão apenas bem, eles também farão mal, talvez até mais,

pois tudo é inútil sem aquilo que você poderá suspeitar em muitas ocasiões sem compreender, aquilo que sugeri;

assim me deixe e siga o seu próprio caminho.

 

Walt whitman [1819-1892]

Tradução de Renato Suttana

gay men’s chorus of los angeles

Posted in homoafetividade, orgulho with tags , on 28/10/2010 by Homofobia Já Era

 

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As crianças vão bem, obrigado!

Posted in direitos GLBTT, homoafetividade, homofobia, homoparentalidade, opinião with tags , , , , , , , , , , on 23/05/2010 by Adriano Mascarenhas Lima

Acho que isso é o que diria qualquer casal gay que já tivesse passado pelas várias lutas árduas e diárias em busca dos direitos de amar. Sim, usei plurais: Não bastassem os percalços que cada homossexual enfrenta, numa ou noutra medida, pelo direito de amar um namorado ou companheiro, casais gays que adotam crianças constatam que essa não é a única forma de amor que lhes é proibida pela sociedade e pelas leis que esta cria do alto de suas “verdades imutáveis” tediosas. O direito de amar filhos também encontra o tom de voz da rejeição.

Gay Parents E esse tom é velho conhecido aos ouvidos já ressentidos com ele. Podemos escutá-lo no áspero desamor do “eu não vou deixar” que um pai autoritário diz para o filho que quer sair. Questionado sobre seus motivos, esse ditatorial e amável pai arquetípico (mais aceito socialmente que o pai gay) justifica-se com um “porque eu sou seu pai e te proíbo”. A imagem que podemos fazer da rejeição à adoção homoparental é bem essa: A de um discurso que não tem mais encontrado como se justificar mas mesmo assim tem insistido em apelar para a preguiçosa “ordem natural das coisas”.

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gay couples feat. renato braz

Posted in homoafetividade with tags on 08/04/2010 by Homofobia Já Era
Sobre o belo samba “Não Vim pra Ficar” (Wilson das Neves e Paulo César Pinheiro), interpretado por Renato Braz, uma singela homenagem a esses heróis anônimos que, a despeito de tudo, acreditam na felicidade isenta de preconceito e permeada de carinho e genuína cumplicidade.

portrait

iguais

Posted in arte, elas, homoafetividade, letra & música with tags on 06/04/2010 by petitte

Acho digno quando artistas manifestam em suas obras mais do que a vontade de obter fama ou dinheiro.

No dia em que ela se declarou a cidade inteira silenciou
Todos queriam ouvir a resposta
Águias com seus vôos rasantes, urubus à espreita
de um pobre instante
Rezando pelo não nas suas costas
E ela cantava o seu amor
Com a sua garganta branca
E ela jurava o seu amor
Com sua garganta santa
No dia em que a outra decidiu enfrentar o mundo
por aquele amor
Sentiu o peso sobre seus ombros
Pai, mãe, filho, irmãos, amigos e um casamento antigo
Julgamentos e seus escombros
Mas elas se amavam tanto
Que já não cabia engano
Mas elas se desejavam tanto
Mesmo o futuro uma tela em branco
Nunca foi tarde demais
O medo, a verdade desfaz
Águias, urubus, julgamentos, fobias, força bruta
Tudo é pouco demais
Código civil, onde se viu, “nêgo”que enrustiu
não separa os iguais

IT

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welcome

Posted in homoafetividade with tags on 30/03/2010 by Homofobia Já Era

revolverheld – unzertrennlich

Posted in homoafetividade, vídeos with tags on 26/03/2010 by Homofobia Já Era

Você esteve lá onde eu estive?
Alguma vez você chegou
Quando o tempo estava
a se esgotar no vento?
Como as ondas que continuam
a voltar?
Você valeu a pena?
E tão difícil não termos sido capaz
de escrever nossa história.

Inseparáveis
Somos eternos
Nós somos inseparáveis
Perdidos em nosso mundo

Finalmente eu encontrei
O que pertence a nós
Um mundo em um segundo
A nos destruir em paz
Com idas e vindas
Como nossos sonhos
Que continuam voltando
Nos dando coragem
Criando o momento
Para escrever nossa história

Estamos aqui
Para viver este momento
Onde há amor
Este é o nosso tempo

Inseparáveis
Somos eternos
Nós somos inseparáveis
Perdidos em nosso mundo

revolverheld

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johnny alf :1929-2010

Posted in homoafetividade, letra & música with tags on 13/03/2010 by Homofobia Já Era
Ilusão à toa

Eu acho engraçado
Quando um certo alguém
Se aproxima de mim
Trazendo exuberância
Que me extasia

Meus olhos sentem
Minhas mãos transpiram
É um amor que eu guardo há muito
Dentro em mim
E é a voz do coração que canta assim
Assim:

Olha, somente um dia
Longe dos teus olhos
Trouxe a saudade do amor tão perto
E o mundo inteiro fez-se tão tristonho

Mas embora agora eu tenha perto
Eu acho graça do meu pensamento
A conduzir o nosso amor discreto
Sim, amor discreto pra uma só pessoa
Pois nem de leve sabes que eu te quero
E me apraz essa ilusão à toa

02_MVG_cult_alf
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