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03 de julho de 2011–parada LGBT de campinas

Posted in jornalismo, parada LGBTT on 08/07/2011 by Homofobia Já Era

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foto: Eduardo Gregori

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Gays na mídia: qual o “outro” lado?

Posted in imprensa, jornalismo, mídia with tags , on 20/01/2011 by Luiz Henrique

Há pouco mais de oito meses, escrevi em meu blog sobre uma edição do programa Profissão Repórter. Destaco abaixo um trecho daquela reflexão para começar esta outra:

A equipe do Profissão Repórter não conversou com o pastor da igreja que diz ter algo a falar sobre homossexualidade; não perguntou o que a CNBB acha de tudo isso; não contatou a assessoria do Vaticano; não questionou o Poder Judiciário para saber das questões formais e do preto no branco; nem mesmo conversou com aquela psicológica que apregoa a cura da homossexualidade… uma falta de pluralidade imensa nesse programa; tudo monofônico, só gente que aceita gays, que superou o preconceito, que não quer reverter essa sexualidade desviante… Felizmente foi assim.

Manchete comum nos jornais brasileiros na década de 80.

Neste trecho acima falava especificamente de uma questão muito importante dentro do jornalismo: o enfoque, ou recorte que fazemos ao elaborar uma pauta. Esta discussão – eminentemente ética e crucial para a deontologia jornalística – é bem mais ampla do que parece, pois coloca ao jornalista (e ao editor, fotógrafo, editorialista…) diversas ponderações a serem feitas acerca da tematização que se dará a uma pauta, da escolha das fontes (portanto, idem das “não fontes”); depois do que efetivamente o jornalista escreverá, “contaminando” (aspas porque a palavra é feia, não?) profunda, total e irreversivelmente o texto com as escolhas que ele têm em mente – e no inconsciente; há ainda a diagramação, a fotografia e, a cereja, as declarações das fontes que serão utilizadas (portanto, idem as que não serão usadas). Enfim, é um campo de escolhas totalmente afinadas com a ética e com a política editorial do veículo.

Capa do jornal ugandense Rolling Stone: "100 fotos dos principais homossexuais da Uganda vazam". Na tarja vermelha: "Escândalo Nacional". Na tarja amarela: "Enforquem-nos".

Por isso quero recolocar este debate aqui focando na população LGBT e no fato de que as questões que concernem “aos gays” hoje são uma pauta recorrente na mídia – interessa-me no jornalismo especificamente. Lembro-me que em algumas aulas da graduação, quando discutíamos certas pautas, ficava pensando do porquê haver certa sacralidade na ideia de que “devemos ouvir sempre todos os lados”. É um cânone associado à pluralidade de vozes e opiniões no jornalismo que esconde, por sua aparente simplicidade conceitual, algo mais complexo: como definir o que é um dos lados? Quem definiu tal configuração de “lados de uma questão”? Não podemos – não devemos? – questionar este mantra diante de algo que nos incomoda? Todas essas perguntas eu me fazia quando pensava no (suposto) dia em que meu editor solicitasse fazer uma matéria sobre direitos dos gays, aceitação da população LGBT no Brasil, indicadores de violência, homofobia nas escolas, etc. Eu jamais daria espaço, na minha matéria, ao padre, ao pastor, ao assessor de imprensa do Vaticano ou a um pesquisador da Bob Jones University que têm algo a falar sobre “gays são pecadores”. “Eles” não são um lado desta questão para mim. Mas culturalmente são, não?

Decidi fazer esta reflexão hoje porque, nesta semana, encontrei um belíssimo artigo do crítico de mídia Eric Deggans, que escreve no St. Petersburg Times. Ele faz a analogia que sempre me pareceu lógica entre o racismo e a homofobia ao tratar da cobertura midiática (usando a CNN como exemplo pontual). Tomei, então, a liberdade de fazer uma livre tradução de sua coluna publicada em 17 de janeiro. Este dia*, para quem não sabe, é um feriado nacional nos Estados Unidos: foi instituído em 1986 em memória de Martin Luther King Jr.

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elas e seus amigos gays*

Posted in jornalismo, mídia with tags , on 19/10/2010 by Homofobia Já Era

Quase perfeitos: eles são sinceros, antenados com a moda, têm humor afiado, dão conselhos sobre amor e sexo… mas não querem namorar você

capa_revista_destaqueO homem ideal vai ao shopping com você, atura provas intermináveis de roupas e é sincero até as raias da crueldade sobre o resultado. Também repara se você cortou dois dedos de cabelo ou retocou um centímetro de luzes na raiz. Aliás, dá palpites certeiros no visual em geral, pois costuma ter ótimo gosto. E ele te segura quando você vai cair, do salto ou na vida, apoia seus projetos mais doidos ou te chama à razão, empresta o colo pra você chorar, é parceiro insuperável nas risadas. O homem ideal só tem um defeito: não quer namorar você. Porque é seu amigo. E é gay. “É a combinação ideal. Conversamos como duas pessoas que não têm sexo. Nunca competimos e torcemos sempre um pelo outro”, define o light designer Flávio Cossa, de 37 anos. Ele fala da arquiteta Letícia Muzetti, de 37 anos. “O Flávio é meu guru. Sou sua fã”, derrete-se ela. A dupla se conheceu há seis anos, numa parceria profissional que evoluiu para uma relação de respeito e confiança. “Com ele, converso de tudo. Do que pensamos, de planos para o futuro, dos problemas. Ele faz parte da minha vida”, afirma a arquiteta.

“A relação entre mulheres e gays parece dar certo porque acaba existindo entre ambos uma identificação”, analisa a psicóloga Patrícia Gugliotta, mestre em saúde mental pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Para Patrícia, muitas mulheres encontram “o seu eu” nessa relação. “É como se o amigo gay a ajudasse ela a se descobrir”, afirma. A administradora de Logística Fabíola de Oliveira, de 29 anos, de Campinas, resume sem meias palavras: “A diferença é que não há a inveja da amizade entre mulheres e você não corre o risco de ouvir do amigo heterossexual que ele quer te pegar.” Ela é unha e carne com o assistente administrativo Vinícius Memória, de 31 anos. “Trocamos confidências sobre tudo. De contas a pagar a relacionamentos”, diz ele. “O Vinícius é sincero até demais, tem bom tino e é sensato. Passou pelo crivo dele, fico tranquila”, arremata Fabíola. Para o maquiador e professor de maquiagem Fabrício Crespo, de 32 anos, o melhor amigo da gerente de marketing Carolina Gargantini, de 26 anos, essa “atração” é bem lógica. “O gay tem uma relação de admiração pela beleza feminina, que se concretiza em conselhos de moda, de make. As mulheres adoram quem consegue levantar sua autoestima”, observa.

Flávio Cossa concorda e mostra que a recíproca é verdadeira. “Todo homem gay quer ter uma amiga bonita de quem se orgulhar. Fico em cima se a Letícia relaxa, adoro quando ela compra uma roupa nova. Quero vê-la brilhar”, entrega. Cossa e Crespo apontam outra vantagem inegável dos gays sobre a melhor amiga e o “espelho, espelho meu”. “Nós conseguimos mostrar o lado masculino da coisa. Sabemos os pontos fracos dos homens e as ensinamos a dominá-los”, garante o maquiador. “A gente acaba sendo uma lente através da qual elas enxergam a natureza dos homens”, completa o light designer.

Uma questão de química

Ressalte-se que as amizades verdadeiras, afirmam os entrevistados pela Metrópole, rejeitam estereótipos. Não entram nesse rol aquelas baseadas na preconceituosa ideia de “bichinha de estimação” e, mesmo que os gays costumem ter apurado senso estético, tampouco se trata de ter (apenas) um assessor pessoal de moda e beleza disponível 24 horas. É uma via de mão dupla, para o bom e para o mau. E também uma questão de química. “Somos muito parecidos, temos uma cumplicidade enorme. Damos gritos um com o outro, se for preciso. É uma amizade além do plano físico. Acredito que temos uma missão a cumprir juntos”, filosofa Fabrício Crespo. Ele e Carolina, umbandistas, entendem que algo os une numa outra dimensão.

“Eu divido tudo com ele. Todos os dias nos vemos. O Fabrício é o irmão que eu não tenho”, fala a gerente de marketing. Vinícius Memória e Fabíola de Oliveira já moraram juntos com outros amigos na época da faculdade e agora, ambos solteiros, pensam em dividir um teto novamente. Os laços que os unem se apertaram ainda mais quando ele passou por uma cirurgia bariátrica (de redução do estômago) e ela ficou firme ao seu lado. Com a família morando em Cosmópolis, ele precisou como nunca de apoio. “Ela cuidou de mim como uma enfermeira. Fazia minha comida e até adaptou a alimentação às minhas condições, junto com os outros amigos que moravam com a gente. E o cuidado se mantém até hoje”, comenta.  Já o light-designer Flávio Cossa começou a cursar Arquitetura apoiado pela amiga com quem divide vários projetos profissionais. “A Letícia acompanha minhas transições. Ela e o marido foram grandes incentivadores para eu entrar na faculdade.”

Fica tudo em família

elas-e-seusTermômetro da sinceridade dessas uniões é o entrosamento com as respectivas famílias. “Minha mãe adotou a Fabíola como filha. E os meus pais já conheceram os dela, que moram longe. Estendemos o nosso relacionamento a todos os aspectos das nossas vidas”, diz Vinícius Memória. O mesmo acontece com a arquiteta Letícia Muzetti e o light designer Flávio Cossa. Ele frequenta a casa dela e participa de eventos íntimos. “Meu marido não gostava, era preconceituoso, mas isso mudou. Digo que o Flávio é um marco na minha vida; com ele, veio o conhecimento e a naturalidade”, analisa Letícia. Até a filha do casal, de 12 anos, é fã do amigo da mãe. “Ela adora o Flávio. O humor dele é inteligente, sempre acrescenta.”

Carolina Gargantini faz programas “de casal” junto com Fabrício Crespo e o companheiro dele, sem encanações. De quebra, como fazem aniversário em 18 (ela) e 19 de outubro (ele), as festas e o parabéns costumam ser compartilhados com os amigos. “Além de ser meu maquiador pessoal, o Fabrício maquia a mãe. Eu saio linda e a mulherada ama ele de paixão.” O revendedor de roupas Sérgio Alberto Alves, o Serginho, de 43 anos, tem na casa da dançarina e professora de flamenco Karina Maganha, de 36 anos, seu porto seguro. Todas as vezes que desaba em São Paulo vindo de Florianópolis para abastecer seu estoque, passa por Campinas para vestir em primeira mão a amiga. E ali, onde ela mora com o marido (que confessa certo ciúme dessa cumplicidade) e o filho de 3 anos, ele fica hospedado o tempo que precisar. Como quando passou por uma cirurgia na boca e ficou aos cuidados da amiga. “Ele só tomava sopa de canudinho e não podia rir, o que é muito difícil, pois nossa amizade é como aquelas comédias bem atrapalhadas. As histórias dele são sempre engraçadas, até as trágicas”, fala Karina. “Temos o mesmo timing para piadas, nos entendemos no olhar. Nossa amizade vem se consolidando nos últimos 10 anos e, mesmo longe, sabemos que podemos contar um com o outro”, retribui Alves.

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