Archive for the violência Category

Um chamado às armas que fez-me rir

Posted in homofobia, opinião, violência with tags , , , , , , , , , , , on 12/04/2011 by Adriano Mascarenhas Lima

Um artigo publicado pelo site “A Capa” reclama da pouca adesão de gays na aglomeração que ocorreu no dia dos “protestos” a favor de Bolsonaro. O autor, Beto Sato, queria que gays se metessem na rixa antiga entre:

  • Carecas
  • White powers
  • Integralistas
  • Proto-nazistas em geral

VS.

  • Esquerdistas
  • Integrantes do Movimento Passe Livre
  • Integrantes da Marcha da Maconha
  • Sindicalistas do SintUsp
  • Integrantes da Liga Estratégica Revolucionária
  • Anarquistas Independentes
  • Punks
  • Anarcopunks

Ele disse romanticamente ter sentido vontade de lutar (inclua sob a palavra “lutar”: punhos, dentes quebrados, gás lacrimogênio, etc.) contra “o inimigo”, e, no início das manifestações, a polícia foi de fato obrigada a separar os dois lados, antes que o pior e o inútil acontecessem. Também reclamou de “sarados”, “poc-pocs” e “ursinhos” não terem dado as caras, como se isso fosse um atestado inconteste de desinteresse político por parte dos gays.

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na bio pode

Posted in homofobia, Universidade, violência with tags , on 27/10/2010 by Homofobia Já Era

A Homofobia Já Era repudia e denuncia o ataque covarde que os estudantes de Arquitetura e Biologia da USP sofreram de 3 homofóbicos, durante a festa “Outubro ou Nada” promovida pela Ecatlética, associação esportiva-estudantil da ECA-USP no dia 23 de Outubro passado. Repudiamos a homofobia no meio estudantil, a omissão e conivência de seguranças presentes e as ameaças anônimas e  mais uma vez covardes que possam vir a ocorrer.

Nossa solidariedade a eles, aos que no episódio os defenderam e ao Centro Acadêmico de Biologia da USP que declarou apoio irrestrito ao estudante Henrique e que pretende fazer a festa-protesto “na Bio Pode”.

E acrescentamos, “na natureza também”

leoes

saiba mais sobre o caso

 

Thumbnail via WebSnapr: http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2010/10/casal-gay-relata-homofobia-durante-festa-universitaria-da-usp-em-mansao.html

 

Thumbnail via WebSnapr: http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2010/10/temos-medo-de-ir-festas-da-usp-dizem-gays-vitimas-de-homofobia.html

assista, se choque, divulgue: aja!

Posted in homofobia, violência with tags , on 26/10/2010 by Homofobia Já Era

Agustín Estrada Negrete, momentos antes da polícia prendê-lo, levá-lo para um porão e torturá-lo.

a caça às tias

Posted in comportamento, cotidiano, direitos GLBTT, diversidade, opinião, violência on 29/04/2010 by Jisuis

No meio deste caos, onde a elite intelectual do país incentiva que se atire merda em bichas, onde diversos países no mundo criminalizam a homossexualidade com pena de morte e NÃO HÁ qualquer manifestação eficiente por parte de quem se diz “preocupado com os direitos humanos”, quando você olha tudo isto, estes absurdos, e pensa que não tem como piorar…

Aí vem alguém e diz: “se os gays fossem discretos, isto não teria acontecido. Isto acontece porque ficam se pegando na rua.”

E eu fico P!!! da vida.

Sabe por quê?

Porque esta criatura tem razão. Não pelo motivo que imagina, mas tem razão.

Não, não acho que o povo glbtxyz deva voltar todo pro armário e isto vai acabar com a violência.  Contudo, é inegável que a violência é a manifestação última da revolta pela nossa incapacidade de nos submeter. Insistimos em não existir rebaixados, humilhados e confinados; libertamos-nos do jugo da moral do outro e decidimos ser felizes.

A violência a que somos expostos é a tentativa da sociedade heteronormativa de nos enrustir. “calem-se ou serão atingidos”; “escondam-se ou serão alvos”; “fujam ou serão caçados”.

A violência quer nos subjugar, assumir o controle da nossa vida.

Controle este perdido quando saímos do armário e deixamos de ser controlados pelo poder absoluto da ofensa, do preconceito alheio.  Quando deixamos de viver 24 horas por dia interpretando personagens, inventando histórias, mentindo, queimando fosfato com o objetivo último pior que não dizer de si, para desdizer do que se é.

Quando abrimos a boca para ‘sair do armário’, incomodamos todo mundo muito mais. Porque não se trata apenas de assumir a homossexualidade. Trata-se de negar-se enquanto heterossexual, negar a heterossexualidade presumida, negar a exclusão discursiva de ser quem se é – um ‘não-hetero’, um gay.

Quando saímos do armário, quando trazemos nossa vida privada para a esfera pública, destruímos o poder primevo da repressão heteronormativa – a exclusão do sujeito do discurso – nos assumimos sujeitos e falantes. Deixamos de estar à margem, presos no discurso do outro, submetidos às reduções do preconceito. Somos responsáveis pelo nosso destino, pela nossa vida. Vivemos como queremos e não como querem que não sejamos.

Isto é absurdo. Alguém que tenha autonomia de sua existência e seu discurso a ponto de romper com a rede de ofensas opressoras, a rede de humilhações que restringia a vida satisfatória ao armário? Inadmissível. Coloca em risco toda a capacidade cruel das nossas instituições. Será punido com a violência com a qual ameaçamos TODOS os que são diferentes.

Sim. Nós nos rebelamos, nos revoltamos e conquistamos, quotidianamente, nossa liberdade. Estamos todo dia construindo um ‘out’ que nada mais é que dizer “Eu não aceito este não-lugar que você tem para mim, este julgo, esta acusação, esta pré-punição que você me empurra. Eu sou melhor que isto, eu não caibo nesta pequenez toda. Chega!”

Por tanto, cacem as tias, derrubem as bichas, queimem as sapatas, castrem os travecos!

Rápido, o tempo urge!

Eliminemos todos aqueles que estão felizes a ser quem são, pois sua felicidade hedionda me incomoda em minha mesquinhez miserável, nesta minha vida insossa, cujas alegrias só surgem quando posso transformar a vida dos outros nesta minha vidinha de merda.

Cacem as tias. Detenham a autonomia, o desejo, a liberdade.

Ou tentem.

Porque somos muitos. Cada vez tomamos mais consciência que sair do armário é tomar as rédeas da própria vida. Somos cada vez mais.

A opressão não vai durar para sempre.

Preparem as malas. Com merda, morte e que mais inventarem, vocês vão ter de mudar.

1957 – 2010

Posted in arte, violência with tags , on 16/03/2010 by Homofobia Já Era

Leandro Caracciolo_glauco

 

Thumbnail via WebSnapr: http://www2.uol.com.br/glauco/ Thumbnail via WebSnapr: http://universohq.blogspot.com/2010/03/um-tributo-ao-glauco.html

roldão arruda

Posted in direitos GLBTT, imprensa, violência with tags , , , , on 24/11/2009 by J.W.Kielwagen

Palestra proferida na 1ª Semana de Diversidade de Joinville 2009

o “modo gay”

Posted in comportamento, diversidade, educação, opinião, violência with tags on 16/10/2009 by Jisuis

Estava eu, pseudo-intelectual de ambidestra canhotice que sou, instalando meu ps2 numa televisão maior do que o espaço de chão que muita criança tem pra dormir à noite nas ruelas de qualquer cidade do planeta…

gw2Quando me preparo para a humanista, revigorante e ética atividade de jogar god of war 2, eis que a trupe de amigos alheios chega. Gente cabeça, fãs de cosplay, vidrados em jogos online até o amanhecer, geração pós-mega-ultra-plus-moderna, 100 terabytes de espaço para novos conceitos da antiguidade com super poderes alienígenas, talicoisa.

Ao ver o início do jogo, antes que eu escolha o modo, um dos garotos, novato do grupo, resolve experimentar o batismo de fogo [sem mesmo conhecer a minha simpática coleção de desenhos irresponsáveis]: “- não escolhe o modo gay, heim… há, há, há.”

A quem não sabe, o “modo gay” é como boa parte do povo chama o modo mais fácil… também chamado de”jardim de infância”, “fraldinha”, “com medo do escuro”, “não guenta, bebe leite”, “curioso com medinho” e afins.

Pois então…

Vamos ver… Por que será que o ‘modo gay’ é o modo mais fácil?

Considerando-se as simpáticas ameaças à diversidade sexual, tais como a violência nos sabores implícita, domiciliar, explícita, social, lingüística, educacional, religiosa, política, financeira, artística [eminen é arte, de alguma forma, em algum conceito, p. ex.]?

Hum… não.

Quem sabe se pensarmos a homofobia internalizada, um ‘estupro mental’ que começa de dentro para fora, que acaba se tornando auto-mutilador e ‘regulando’ o comportamento de pessoas que acreditam piamente que ‘esconder-se’ é ‘ser feliz’, porque só se pode ser feliz com pouco mesmo, já que o restante é inatingível?

Gow2

Hum… não.

Talvez seja a facilidade de sair para jantar com sua namorada ou namorado e ser convidado a se retirar [por vezes, sequer ‘gentilmente’] porque sua conduta é "inadequada ao ambiente familiar do estabelecimento". Isto é fácil?

Hum… também acho que não.

Eu procuro a facilidade, mas encontro muitas dificuldades em existir no “modo gay”. Dificuldades enfrentadas em todas as instâncias da existência, inclusive internas, vencidas através de variadas formas, com ou sem apoio de outras existências. Dificuldades afetivas, lógicas, sociais, econômicas….

Alguém pode me explicar cadê a parte fácil no “modo gay”?

É pela sensibilidade, a vaidade, o carinho, por alguns serem efeminados?

Por isto??

[ah, tem isto, mas eu considero dentro das violências de vários sabores]

Hum… Quer saber o que eu acho?

Quem existe fora da heteronormatividade é um alvo. Alvo completo, em todos os âmbitos, inclusive físico. Pode ser assassinado [e em algumas sociedades é formalmente executado], violado de todas as formas, brutalizado, humilhado, desqualificado como ser humano. Pode e é, sempre que há possibilidade.

Não possui amparo sequer do estado para garantir sua existência, embora garanta a existência deste mesmo estado com os impostos que paga.

Brasília - Participantes da 1ª Conferência Nacional de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (GLBT) realizam manifestação contra violência sofrida por homossexuais Foto: Elza Fiuza/ABr 2008

[Brasília – Participantes da 1ª Conferência Nacional de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (GLBT) realizam manifestação contra violência sofrida por homossexuais Foto: Elza Fiuza/ABr 2008"]

Considerando-se tudo isto, o modo gay é o hiper heavy…  o resto, é ficha!

grupo de extermínio de aberrações

Posted in arte, letra & música, vídeos, violência on 24/09/2009 by Professor Carlinhos

A banda de Goiânia Violins compôs uma música chamada Grupo de Extermínio de Aberrações (que, no vídeo abaixo, é apresentada pela banda curitibana Terminal Guadalupe). A música, mal interpretada pelos conservadores desatentos de plantão, acabou sendo denunciada ao Ministério Público (porque alguém achou que era um hino de algum grupo extremista). Grupo de Extermínio de Aberrações, na verdade, usa de uma ironia refinada pra fazer a denúncia de uma realidade que ultrapassa o anúncio feito pela Laranja Mecânica. No clipe abaixo, gravado por um cinegrafista amador, Dary Jr, vocalista da Terminal Guadalupe, faz uma pequena introdução e termina a música citando Perfeição, da Legião Urbana.



Atenção, atenção!
Prestem atenção ao que vamos dizer
Nós somos o Grupo de Extermínio de Aberrações
de toda sorte que você possa conceber
vindo até vocês pra pedir
qualquer quantia que se possa fornecer


e eu garanto que seus filhos agradecem
por crescer sem ter que conviver
com bichas e michês
e pretos na tv


Tá faltando soco inglês
o estoque de extintor não chega ao fim do mês
não to pedindo aqui fortuna pra vocês
a gente quer limpar o mundo de uma vez


Ei, amigão, amigão!
abaixa essa arma que é melhor para você
Nós somos o Grupo de Extermínio de Aberrações
e não viemos pra ofender
viemos receber sem medo de pedir pra vocês
qualquer quantia que se possa fornecer
e eu garanto que seus filhos agradecem
por crescer sem ter que conviver
com discípulos de Che
e putas com HIV

fora de moda

Posted in comportamento, violência with tags on 22/09/2009 by Professor Carlinhos

ccAinda não falei na primeira pessoa, aqui, aproveito a oportunidade de hoje para me apresentar: sou Carlos Henrique Caetano, estudei filosofia e trabalho como educador numa instituição que dá assistência a meninos e meninas de rua do Centro de Campinas. Freqüentador assíduo de baladinhas underground na cidade, já sofri várias formas de preconceito por conta da minha orientação sexual. Ontem, no entanto, a coisa foi um pouco além.

Quando saí do trabalho, por volta de 20h30, fui até o ponto de ônibus que fica na Avenida Orozimbo Maia, em frente à Maternidade de Campinas. Ali haviam, pelo menos, vinte pessoas paradas esperando o ônibus. Em menos de cinco minutos, um jovem branco, forte e careca que comprava alguma coisa na banca da calçada abordou-me dizendo que era muito perigoso alguém como eu andar pelo Centro da cidade, todos os dias, com aquela cor de cabelo (meu cabelo é vermelho desde o início desse ano). Eu disse a ele que cor de cabelo não oferece risco. Ele respondeu, fazendo cara de mau, que skinheads tem percorrido a cidade e não costumam dar trégua a pessoas como eu. Depois disso, retirou-se e virou a esquina. As pessoas que estavam no ponto ficaram assustadas com a situação e a moça da banca que vendeu algo ao careca me perguntou se era sempre assim. Eu disse a ela que sabia dos riscos de manifestar minha orientação sexual em público, mas nunca havia sofrido uma ameaça daquele tipo. Uma outra senhora perguntou se só gays pintam cabelo de vermelho. Um senhor me disse: se eu fosse você faria um Boletim de Ocorrência.

A verdade é que fiquei chocado com a maneira como o rapaz se aproximou de mim, mesmo porque eu nunca o havia visto. Não posso dizer que não tive medo, mas me senti protegido pelo número de pessoas que se encontravam no ponto de ônibus e tomaram partido a meu favor. Entretanto, se isso for uma perseguição e a ameaça for verdadeira, pode acontecer de, um dia, quando o ponto estiver vazio, sofrer alguma espécie de violência gratuita. Nem por isso deixarei de usar cabelo vermelho. E, se estiver acompanhado de alguém, não hesitarei em andar de mãos dadas e manifestar, publicamente, meu carinho (como fazem os casais de qualquer orientação sexual). Só acho importante deixar registrado aqui, nesse espaço de debate, esse acontecimento porque nós sabemos que a homofobia está fora de moda, entretanto, muita gente por aí insiste em ser démodé.

ofender não é crime?

Posted in comportamento, direitos GLBTT, diversidade, educação, violência with tags , , on 10/08/2009 by Jisuis

Fato 1:

herrera Em 29 de abril de 2009 Jahem Herrera, 11 anos, suicidou-se na Georgia, USA. Embora não tenha sido efetivamente confirmado pelas autoridades, a causa especulada é dramática: injúria por ser gay.

Jahem era perseguido e injuriado na escola diariamente. Queixou-se disto aos “adultos responsáveis”. Nada sucedeu.

Matou-se.

11 anos. Uma criança de 11 anos se matou porque não suportou a violência travestida do quotidiano das “brincadeiras” cruéis.

Fato 2:

Há cerca 20 dias a mãe de um ex-paciente ligou para mim [nem questiono os superpoderes que permitem a descoberta de meus celulares]. Seu sobrinho de 13 anos havia tentado o suicídio: quase amputara o próprio pênis e cortara os pulsos. Sua morte foi evitada por um cartão de crédito esquecido na mesa da sala, que fez sua mãe voltar para casa.

O motivo? Injúrias por ele ser gay. Ofensas verbais, perseguições e violências. De colegas de colégio, com a conivência de professores que  dizem “deixam as crianças resolverem isto” quando não falam que “choramingar é coisa de viado”. Do pai, dizendo que ele “só subiria na vida se fosse de costas”.  Do primeiro amor, um ex-amigo que, quando soube da homossexualidade, deu-lhe uma surra e disse que ele deveria ter vergonha por ser nojento assim.

Uma nota suicida dolorida e deprimente deixava claro o quanto ele se sentiu errado, feio e ruim por ter frustrado todas as expectativas de pais e amigos por “amar quem não devo”. O quanto ele não queria magoar ninguém, mas “não posso deixar de ser quem eu sou e virar outra pessoa. Só posso deixar de ser”.

Por que ela me ligou? Para que eu atendesse os pais do garoto, para que “eles não ajudassem X a tentar se matar de novo”.

ddierA “nomeação” produz uma conscientização de si mesmo como um “outro” que os outros transformaram em “objeto”.

(…)

A injúria é um ato de linguagem ou uma série de atos de linguagem pela qual um lugar particular é atribuído no mundo àquele que dela é destinatário. (…) A injúria produz efeitos profundos na consciência de um indivíduo pelo que ela diz a ele: “Eu te assimilo a”; “Eu te reduzo a”.

Didier Eribon in Reflexões Sobre a Questão Gay: Humanidade, Sexualidade e Erotismo.

Eu te reduzo a… Tenho poderes sobre sua existência, tenho julgamentos sobre seus desejos, tenho sentenças sobre suas vontades. Impero sobre você e determino o certo e o errado da sua vida.

Água mole em pedra dura… Como em 1984 [George Orwell], de tanto repetir, humilhar, derrotar, quebrar as vontades e esperanças do sujeito, acaba-se por enfiar goela abaixo a “verdade social” que deve ser seguida: 2 + 2 = 5.

Ou, no caso de Jahem e X, “morram suas bichas”.

São humanos, são pessoas, são crianças. Morrem feito moscas e são importantes feito moscas para um bando de “representantes políticos” que acham prioridade assegurar que as igrejas não se sintam constrangidas [pelo PLC 122] no seu direito de ter preconceito.

Moscas…

Durma com um barulho destes.

munch-grito

O Grito , obra de Edvard Munch (1863 — 1944)

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